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5. Engenharia de requisitos

Data Versão Descrição Autor
01/09/2026 1.0 Versão inicial Equipe CyberSetor
06/09/2026 1.1 Seção redigida para o site Equipe CyberSetor
14/09/2026 1.2 Ajustes na taxonomia de ER: artefatos de representação, critérios de aceitação objetivos, portões de qualidade e redução sistemática de ambiguidades Caio Martins
17/09/2026 1.3 Taxonomia revista conforme o livro-texto: artefatos, eventos do Scrum e ferramentas separados das técnicas Vinicius Vieira
17/09/2026 1.4 Registro das sessões de entrevista remetido à seção 7.2 Equipe CyberSetor

As seis atividades da Engenharia de Requisitos adotadas pela disciplina (elicitação e descoberta, análise e consenso, declaração, representação, verificação e validação, organização e atualização) não são etapas sequenciais. Elas se repetem e se entrelaçam ao longo do ciclo de desenvolvimento. Esta seção associa cada atividade às técnicas que a equipe usará no projeto e, em seguida, mapeia essas técnicas nas fases do ScrumXP.

5.1 Atividades e Técnicas de ER

Elicitação e Descoberta

  • Entrevista semiestruturada: conversas com as representantes do núcleo pedagógico, com roteiro aberto, para compreender o domínio, delimitar o problema e distinguir necessidades de desejos. As sessões realizadas estão registradas na seção 7.2.
  • Análise de documentos existentes: leitura do relatório de prestação de contas e da planilha de controle do Instituto, artefatos que descrevem o processo atual como ele de fato acontece.
  • Observação direta: acompanhamento de uma oficina em campo para ver a chamada e o registro acontecendo, acesso ao que a entrevista não revela.
  • Triangulação: cruzamento do que foi dito na entrevista com o que os documentos mostram e com o que foi observado, para separar a visão formal da organização da prática cotidiana.

Análise e Consenso

  • Diagrama de Ishikawa: organização das causas do problema central da seção 1.4 por categoria, para delimitar o que a solução ataca.
  • Workshop de requisitos: sessão com as áreas competentes do Instituto em que se aplicam priorização e negociação para ordenar características e resolver divergências entre quem gerencia e quem opera as atividades (livro, §8.4.1).
  • MoSCoW: classificação das características de produto em obrigatórias, desejáveis, opcionais e fora de escopo, base do recorte do MVP na Sprint 2.
  • Avaliação técnica × valor de negócio: matriz que cruza o valor percebido pelo Instituto com o esforço estimado pela equipe, para defender o corte de escopo com dados (livro, §8.4.2).
  • Negociação: condução das conversas em que um desejo do cliente é reposicionado em relação à necessidade identificada, sem recusa.

Declaração

  • Histórias de usuário: requisitos escritos na perspectiva de quem usa, em linguagem não técnica, seguindo os critérios INVEST.
  • Critérios de aceitação: lista de condições objetivas, observáveis e mensuráveis associadas a cada história, definindo o comportamento esperado, restrições e regras sem impor sintaxe rígida de cenários, tornando o requisito verificável.
  • Catálogo de regras de negócio: registro de regras como limite de vagas, prazo de inscrição, consentimento e cálculo de carga horária, separadas das histórias que as usam.
  • Glossário: definição dos termos que o Instituto e a equipe usam de formas diferentes, como atividade, oficina, participante, facilitador, presença e meta.

Representação

  • Rich Picture: artefato de representação sistêmica e informal do cenário atual (livro, §10.5), apresentado na seção 1.3.
  • Mapa de stakeholders: artefato que situa os envolvidos e suas relações com a solução (livro, §§10.4–10.5), apresentado na seção 1.6.
  • Modelo do processo atual na notação BPMN: BPMN é a notação (livro, §10.6.2); o artefato é o modelo do fluxo de inscrição, presença e prestação de contas como ocorre hoje, para localizar onde a solução intervém.
  • Protótipos de baixa fidelidade: esboços de telas, propositalmente rústicos, usados como artefato de validação com o Instituto antes de codificar (livro, §10.5).

Verificação e Validação

  • Revisão cruzada entre duplas: cada dupla revisa as seções e histórias escritas pela outra, verificando consistência, completude e testabilidade.
  • Checklist de qualidade: lista de verificação aplicada a cada história para inspecionar critérios de completude, clareza e testabilidade antes do desenvolvimento.
  • Sessão de validação com protótipo: apresentação de protótipos leves e do incremento ao Instituto para confirmar que o requisito é o certo.
  • Testes de aceitação: testes derivados da lista de critérios de aceitação, automatizados quando possível, que verificam se o comportamento implementado no software atende ao que foi especificado.
  • Demonstração e validação com stakeholders: apresentação do incremento às representantes do Instituto, realizada na Sprint Review (evento do Scrum), com o feedback registrado no backlog.

Organização e Atualização

  • Organização e atualização do Product Backlog: repositório único dos requisitos, versionado e priorizado, com refinamento semanal; a ferramenta é o GitHub Projects.
  • Manutenção da rastreabilidade: identificadores que ligam problema, objetivo específico, característica de produto, requisito, história e critério de aceitação, registrados em matriz de rastreabilidade.
  • Controle de versões e mudanças: tabela de versões no início de cada seção deste documento, registrando o que mudou e quando.
  • Registro e atualização das decisões: ata sintética de cada reunião, elaborada e revisada pela equipe com controle de dados sensíveis (LGPD) e publicada na página de atas, como evidência.

5.2 Engenharia de Requisitos e o ScrumXP

Fase do ScrumXP Atividade de ER Prática Técnica Resultado esperado
Planejamento da Release Elicitação e Descoberta Imersão no contexto do cliente Entrevista semiestruturada · Análise de documentos existentes · Observação direta · Triangulação Entendimento do processo atual e das dores; Documento de Visão
Análise e Consenso Delimitação do problema e do escopo Diagrama de Ishikawa · Workshop de requisitos · Negociação Problema central e escopo acordados com o Instituto
Representação Representação sistêmica Rich Picture · Mapa de stakeholders · Modelo do processo atual (notação BPMN) Cenário atual e processos modelados e validados
Declaração Escrita orientada a valor Épicos · Histórias de usuário · Glossário Product Backlog inicial em linguagem do cliente
Planejamento da Sprint Análise e Consenso Priorização MoSCoW · Avaliação técnica × valor de negócio Sprint Backlog priorizado; MVP recortado na Sprint 2
Declaração Detalhamento do item Critérios de aceitação · Catálogo de regras de negócio Itens de backlog detalhados com critérios verificáveis e regras catalogadas
Representação Prototipação Protótipos de baixa fidelidade Entendimento compartilhado da interface e do fluxo antes de codificar
Execução da Sprint Elicitação e Descoberta Elicitação contínua Dúvidas operacionais com o Product Owner interno e alinhamento de domínio com o Instituto Lacunas operacionais destravadas; dúvidas de domínio encaminhadas à próxima validação com o Instituto
Verificação e Validação Inspeção e verificação interna Revisão cruzada entre duplas · Checklist de qualidade · Análise de consistência entre história e protótipo · Testes de aceitação Redução sistemática de ambiguidades e requisitos verificáveis
Organização e Atualização Gestão do backlog Organização do Product Backlog (GitHub Projects) · Manutenção da rastreabilidade Requisitos rastreáveis do problema ao critério de aceitação
Revisão da Sprint Verificação e Validação Validação com o cliente Demonstração e validação com stakeholders (na Sprint Review) · Sessão de validação com protótipo Confirmação de que a solução atende às necessidades reais do cliente; feedback registrado
Declaração Incorporação do feedback Ajuste de histórias e critérios de aceitação · Negociação Histórias ajustadas ao entendimento mais atual
Retrospectiva da Sprint Organização e Atualização Melhoria do processo de ER Registro de lições aprendidas e das ações de melhoria, na Retrospectiva Ajustes nas práticas de ER para o próximo ciclo; seção 11 do documento
Planejamento da Próxima Release Elicitação e Descoberta Refinamento estratégico Alinhamento com o Instituto · Análise de documentos existentes Novas necessidades identificadas
Análise e Consenso Repriorização por valor MoSCoW · Avaliação técnica × valor de negócio Backlog reordenado para o próximo ciclo
Organização e Atualização Atualização do documento Controle de versões do documento · Refinamento semanal do backlog Documento de Visão e backlog atualizados

Elicitação, verificação e validação, e organização e atualização aparecem em mais de uma fase, porque as atividades da Engenharia de Requisitos são iterativas e entrelaçadas, e não etapas sequenciais (MARSICANO, 2026, §5.3).