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2. Solução Proposta

2.1. Objetivo Geral do Produto

Minimizar a descentralização e o espalhamento das informações dos participantes e das atividades da instituição, a fim de melhorar o controle de frequência, facilitar a identificação de evasão e assegurar a confiabilidade dos dados para apoio à tomada de decisão e ao fortalecimento do relacionamento com os beneficiários.

2.2. Objetivos Específicos do Produto

  • OE1: Centralizar e estruturar os dados cadastrais de alunos, voluntários (instrutores) e diretoria.
  • OE2: Monitorar a assiduidade e gerenciar a taxa de evasão dos alunos nos cursos, permitindo intervenções rápidas.
  • OE3: Apoiar a tomada de decisão estratégica da diretoria por meio de dados consolidados das ações da instituição.
  • OE4: Fortalecer os vínculos institucionais, humanizando o relacionamento e o atendimento.

2.3 Características de Produto

Esta seção descreve as capacidades estruturais do sistema SGES focadas no valor de negócio e nas necessidades dos usuários, estabelecendo a rastreabilidade direta entre os Objetivos Específicos (OEs) da instituição e o catálogo de requisitos funcionais e não funcionais.

OE Principal Contribuição Secundária ID Característica Descrição Resumida Valor de Negócio Principal
OE1 OE3 CP1 Segurança e Controle de Acessos Controlar os níveis de permissão de uso conforme o perfil do usuário e resguardar a privacidade das informações gravadas. Proteção de dados das famílias atendidas e governança sobre quem visualiza ou altera as informações.
OE1 OE2 CP2 Gestão de Instrutores Cadastrar, atualizar e acompanhar as informações da equipe de instrução e dos voluntários. Organização da oferta de turmas e controle das atribuições da equipe técnica.
OE1 OE4 CP3 Cadastro de Beneficiários Centralizar, atualizar e consultar as informações cadastrais e de contato dos beneficiários. Centralização e confiabilidade do histórico dos beneficiários.
OE2 OE4 CP4 Frequência e Engajamento Registrar de forma ágil a assiduidade diária e gerenciar a abertura de turmas, matrículas e limites de vagas. Acompanhamento contínuo da participação dos alunos e otimização do aproveitamento das vagas abertas.
OE2 OE4 CP5 Monitoramento de Evasão Identificar de forma automática padrões de ausência crônica e documentar os atendimentos de apoio realizados com as famílias. Atuação preventiva para redução da evasão social e fortalecimento do vínculo protetivo com a comunidade.
OE3 OE1, OE2 CP6 Relatórios e Transparência Consolidar dados estatísticos agregados e permitir a extração de informativos de impacto gerencial, preservando as identidades. Subsídios para tomadas de decisão da diretoria e facilitação da prestação de contas para parceiros e doadores.
OE3 OE1 CP7 Arquitetura e Performance Prover uma interface simples e de fácil compreensão, assegurando que o sistema permaneça disponível e de fácil manutenção continuada. Baixa curva de aprendizado para a equipe e garantia de sustentabilidade da ferramenta a longo prazo.

2.4. Tecnologias a Serem Utilizadas

A stack tecnológica foi selecionada para garantir alta produtividade, segurança de tipos e baixo custo de manutenção, atendendo aos desafios de usabilidade e restrição financeira da instituição.

  • Frontend: React.js (Vite)
  • Motivação: Criação de uma interface modular e reativa, garantindo simplicidade para voluntários e agilidade no carregamento em diferentes dispositivos.

  • Backend: Node.js

  • Motivação: Ambiente escalável que permite compartilhamento de lógica com o frontend, acelerando o desenvolvimento de funcionalidades críticas como importação de dados legados.

  • Linguagem: TypeScript

  • Motivação: Tipagem estática para reduzir erros em tempo de execução e garantir integridade dos dados sensíveis das famílias atendidas.

  • Banco de Dados: PostgreSQL

  • Motivação: SGBD relacional robusto para centralizar informações antes dispersas em planilhas, permitindo rastreabilidade e geração de relatórios complexos para a diretoria.

2.5. Pesquisa de Mercado e Análise Competitiva

Há no mercado softwares que podem agregar na solução dos problemas do cliente. Contudo, não se alinham em alguns interesses dos mesmos ou apresentam outros empecilhos pontuais.

Salesforce Nonprofit

Plataforma baseada na nuvem projetada para organizações sem fins lucrativos.

  • Pontos fortes: Ferramentas para personalização e segmentação de doadores, integração eficaz com outras plataformas de comunicação e captação.

  • Limitações: Alto custo total, implementação longa, dependência técnica. Risco de subutilização devido à rotação de voluntários.

Odoo

Software de gestão empresarial que integra todas as áreas da empresa em uma única plataforma.

  • Pontos fortes: Centraliza, automatiza e otimiza processos de negócios.

  • Limitações: Implementação longa, necessidade de suporte técnico constante, impacto da rotação de voluntários. Custo pode ser viável dependendo do contexto.

SurveyCTO

Plataforma para coleta de dados com ferramentas integradas de monitoramento e visualização.

  • Pontos fortes: Bom para pesquisas.

  • Limitações: Alto custo para uso contínuo, não é sistema de gestão de beneficiários.


SGES como solução

Além de ser financeiramente mais viável em comparação às plataformas citadas, o SGES irá centralizar dados que hoje ficam dispersos em cadernos e planilhas individuais, o que dificulta o acompanhamento de frequência dos alunos, evasão e histórico de participantes e voluntários.

Os exemplos citados não satisfazem totalmente os interesses do cliente, sendo favoráveis apenas em alguns pontos.

Benefícios práticos do SGES

  • Organização dos dados de alunos e voluntários (nome, data de matrícula, frequência).

  • Geração de relatórios simples com esses dados.

  • Solução mais personalizada para o cliente em comparação com os outros softwares.


Estimativa de custos da aplicação (após finalização da disciplina)

  • Backups em DB/VPS: R$ 10 – 100/mês

  • Hospedagem + banco gerenciado: R$ 50 – 800/mês (dependendo do provedor e uso)

  • SSL: Certificados pagos variam de R$ 7,50 a 50/mês (dependendo do tipo)

⚠️ Observação: São apenas estimativas. Os valores podem mudar durante o desenvolvimento e evolução da aplicação.


2.6. Viabilidade da Proposta

A viabilidade técnica do projeto é média.

  • A maior parte dos membros domina as tecnologias escolhidas.
  • Foram criadas funções e alocados responsáveis para auxiliar em dúvidas e evitar falhas de comunicação.
  • Prazo estimado: 3 meses para o desenvolvimento do MVP (Produto Mínimo Viável).
  • Possibilidade de ajustes no cronograma devido a imprevistos ou necessidades de qualidade.
  • Mão de obra no período da disciplina: custo R$ 0,00 para o cliente, pois o desenvolvimento será realizado por estudantes voluntários até a entrega do MVP.
  • Continuidade pós-disciplina: antes do encerramento do projeto, deverá ser alinhado junto ao cliente um plano de continuidade com escopo de manutenção, como hospedagem e evolução da plataforma, além de opções de expansão para decisão formal, esta etapa envolverá custos ao cliente.
  • Custos recorrentes mínimos de operação: restritos a registro de domínio e hospedagem e manutenção básica do site após fim da disciplina, a depender da disponibilidade de continuação dos integrantes do grupo.

2.7. Benefícios Esperados

  • Para alunos e participantes:
    Acompanhamento de registros de frequência, histórico de participação e atendimento.

  • Para instrutores:
    Maior praticidade e agilidade no uso das ferramentas de gestão.

  • Para gestores:
    Acesso a informações consolidadas para tomada de decisão, incluindo relatórios de participação e evasão.

2.8. Intervenção Social

O SGES não é apenas uma ferramenta de organização de dados. Ao ser introduzido no contexto da Sociedade Espírita Auta de Souza (SEAS), ele se configura como uma intervenção social: uma mudança que tende a reorganizar práticas, relações, fluxos de informação e critérios de decisão dentro da instituição e em sua relação com os beneficiários.

Os impactos pretendidos são as transformações deliberadamente buscadas pela solução, diretamente alinhadas aos Objetivos Específicos definidos na seção 2.2:

Objetivos Específicos

  • Centralização e confiabilidade da informação (OE1):

O SGES pretende substituir o fluxo descentralizado por um repositório único e consistente. Essa mudança reconfigura a forma como a instituição conhece seus próprios beneficiários e toma decisões baseadas nesse conhecimento.

  • Visibilidade da evasão e intervenção oportuna (OE2):

O SGES pretende tornar mais perceptível o acompanhamento dos alunos, principalmente aqueles que se afastam silenciosamente sem que a instituição perceba a tempo de agir. A aplicação transforma dados de frequência em alertas acionáveis, mudando o papel dos gestores de reativos para proativos.

  • Apoio à decisão estratégica com dados (OE3):

A diretoria atualmente toma decisões com base em percepções fragmentadas. O SGES pretende oferecer dados que sirvam de base para tomadas de decisões mais consistentes.

  • Fortalecimento do vínculo com os beneficiários (OE4):

Ao registrar o histórico de participação e gerar alertas de relacionamento (como aniversários), o sistema busca humanizar o atendimento, transformando uma gestão predominantemente administrativa em uma gestão orientada ao cuidado com a trajetória individual de cada participante.


Efeitos emergentes

Nem todos os impactos de uma intervenção social são pretendidos. Tendo isso em mente, a equipe identificou os seguintes efeitos emergentes que merecem atenção ao longo do desenvolvimento e da implantação:

  • Dependência de voluntários para operar o sistema:

A SEAS depende fortemente de trabalho voluntário, com alta rotatividade. Se o sistema exigir curva de aprendizagem longa ou processos burocráticos, há risco de abandono ou subutilização. Esse risco é abordado pelo RNF05 (Curva de Aprendizado) e justifica a priorização de usabilidade.

  • Mudança no papel dos instrutores:

Atualmente os instrutores registram presença em papel, de forma autônoma e sem padronização. Com o SGES, passam a operar um sistema digital com campos definidos, regras de acesso e fluxos padronizados. Essa mudança pode gerar resistência, especialmente entre voluntários mais antigos. É necessário considerar capacitação progressiva e adoção gradual.

  • Risco de exclusão digital dos beneficiários:

Embora o sistema seja voltado para uso interno da equipe, funcionalidades futuras (como consulta de frequência pelos próprios alunos) podem esbarrar na vulnerabilidade digital de parte do público atendido.

  • Concentração de informação sensível:

Ao centralizar dados de famílias em situação de vulnerabilidade, o SGES concentra informações sensíveis que, se mal gerenciadas, podem comprometer privacidade e segurança. Esse risco é reconhecido nos RNF01 (Criptografia Sensível) e RNF02 (Trilha de Auditoria) e deve ser tratado como requisito de produto, não como detalhe de implementação.