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Engenharia de Requisitos

5. Engenharia de Requisitos

5.1 Atividades e Técnicas de ER

5.1 Atividades e Técnicas de ER

O processo de Engenharia de Requisitos (ER) para o desenvolvimento do MorfoBlocos Digital foi conduzido de forma iterativa e incremental. A tabela a seguir detalha cada técnica proposta ou executada no projeto, seu respectivo status de execução ao final da Unidade 3 e os links de evidências ou justificativas de engenharia.

Atividade de ER Técnica Proposta / Aplicada Status Evidência Técnica / Justificativa de Engenharia
Elicitação e Descoberta Entrevistas semiestruturadas Realizada Reuniões síncronas gravadas e registradas nas atas de alinhamento com a cliente (PO) para mapeamento do jogo físico.
Elicitação e Descoberta Análise documental Realizada Estudo detalhado das regras e do manual do jogo físico original para extração do catálogo base de morfemas.
Elicitação e Descoberta Observação de contexto real Não realizada Justificativa: Retirada do escopo executado devido à incompatibilidade de horários escolares e restrições de tempo do semestre letivo.
Elicitação e Descoberta Triangulação de fontes Parcial Executada através do cruzamento entre a análise documental das regras físicas e as entrevistas de validação com a PO.
Análise e Consenso Priorização MoSCoW Realizada Matriz de Priorização do MVP utilizada para blindar o escopo das histórias da Unidade 3.
Análise e Consenso Matriz Técnica × Valor Realizada Ferramenta utilizada e atualizada em conjunto com a cliente para estruturar o plano de sustentabilidade a longo prazo.
Análise e Consenso Negociação de conflitos Realizada Registro de decisão técnica de arquitetura que optou por adiar os CRUDs visuais para focar no motor de jogo.
Declaração de Requisitos Histórias de Usuário Realizada Mapeamento de User Stories estruturadas nos eixos de Persona, Intenção e Valor de Negócio.
Declaração de Requisitos Critérios Given/When/Then Não realizada Justificativa: Retirada do escopo por decisão metodológica da equipe, optando por critérios de aceitação tradicionais/descritivos para melhor adequação ao modelo de validação adotado.
Declaração de Requisitos Catálogos de RFs e RNFs Realizada Especificação de Requisitos URPS+ padronizada segundo as diretrizes de Engenharia da disciplina.
Representação de Requisitos Rich Picture Realizada Rich Picture do Fluxo de Trabalhocontrastando o ambiente físico com o tabuleiro digital na Vercel.
Representação de Requisitos Diagrama de Ishikawa Realizada Diagrama de Causa e Efeito detalhando as perdas pedagógicas e limitações do material impresso.
Representação de Requisitos Mapa de Stakeholders Realizada Mapa de stakeholders homologada para gerenciamento de expectativas da cliente.
Representação de Requisitos Protótipos e Storyboards Parcial Protótipos do Figma homologados para US.
Verificação e Validação Revisão interna da equipe Realizada Sprints plannings e reuniões técnicas semanais de checagem de consistência de código das USs.
Verificação e Validação Validação com a cliente Realizada Demonstrações homologadas de incremento de software rodando em produção ao final de cada ciclo de Sprint.
Verificação e Validação Filtros DoR e DoD Realizada Aplicação dos critérios de DoR (Definition of Ready) e DoD (Definition of Done) para mapear a prontidão das US e validar a qualidade dos incrementos entregues.
Verificação e Validação Testes de aceitação (G/W/T) Não realizada Justificativa: Não aplicável, dado que a equipe não adotou a abordagem BDD. As validações de entrega foram realizadas por meio de testes funcionais manuais descritivos.
Organização e Atualização Product Backlog Único Realizada Utilização de um Product Backlog unificado, onde as histórias de usuário e os débitos técnicos foram centralizados em uma única lista priorizada para evitar a dispersão de requisitos.
Organização e Atualização Refinamento contínuo Realizada Reuniões de Refinamento realizadas no meio de cada Sprint para quebra de complexidade.
Organização e Atualização Princípio DEEP Realizada Backlog mantido dinâmico, estimado em Story Points e com as tarefas do topo detalhadas de forma adequada.
Organização e Atualização Controle de versões Realizada Histórico de Commits e Versionamento de Artefatos mantidos sob controle no Git do projeto.
Organização e Atualização Matriz de Rastreabilidade Realizada Mapeamento estruturado cruzando as metas de negócio aos IDs das histórias desenvolvidas.

1. Workshops de Requisitos

  • Justificativa para não ter feito: Considerando o tamanho reduzido da equipe de desenvolvimento e a facilidade de comunicação direta com os stakeholders, optou-se por reuniões e entrevistas rápidas em vez de Workshops. Para o escopo de um MVP, dinâmicas de workshop demandariam um tempo de alinhamento que foi otimizado por meio de sessões diretas de alinhamento pedagógico.

2. Narrativas Descritivas

  • Justificativa para não ter feito: Como a equipe adotou as User Stories como padrão oficial para a declaração e especificação de requisitos (seção 10.1.4), o uso de narrativas descritivas longas tornou-se redundante. As histórias de usuário, combinadas com seus critérios de aceitação, cumpriram o papel de detalhar o comportamento do sistema de forma ágil e objetiva.

3. Catálogo de Regras de Negócio

  • Justificativa para não ter feito: As regras de negócio do sistema (como os critérios de validação de morfemas e regras de pontuação) são simples e focadas no núcleo do jogo. Por esse motivo, elas foram mapeadas e documentadas diretamente nas justificativas dos requisitos funcionais e nos critérios de aceitação das User Stories, eliminando a necessidade de manter um documento separado apenas para o catálogo de regras.

4. Fluxos de Navegação e de Estados Conceituais

  • Justificativa para não ter feito: A arquitetura de telas do sistema segue um fluxo linear e direto (Login -> Dashboard/Seleção de Atividades -> Tela do Jogo/Quiz -> Feedback). Por ser uma interface enxuta e de baixa complexidade de navegação, a equipe priorizou o desenvolvimento direto de protótipos de interface, poupando o esforço de modelagem de diagramas de estados conceituais.

5.2 Engenharia de Requisitos e o XP

As atividades da Engenharia de Requisitos, suas práticas e técnicas são mapeadas, a seguir, às cerimônias do Scrum adotadas pela equipe para a condução do projeto MorfoBlocos Digital. Embora o processo escolhido seja o ScrumXP — combinando o framework Scrum para gerenciamento com as práticas técnicas do XP para engenharia —, optou-se por organizar a tabela em torno das cerimônias do Scrum por serem os momentos formais de tomada de decisão e validação no ciclo iterativo, conforme descrito na seção 4.10 do livro-texto.

Importante: as atividades da ER não ocorrem de forma estritamente sequencial dentro de cada cerimônia. Conforme apresentado no capítulo 5 do livro-texto, elas são entrelaçadas e se retroalimentam ao longo do projeto, de modo que a ordem das linhas da tabela é apenas de apresentação — não de execução obrigatória.

Cerimônia do Scrum Atividade ER Prática Técnica Resultado esperado
Refinamento do Product Backlog Elicitação e Descoberta Levantamento contínuo de requisitos e compreensão do domínio. Entrevistas semiestruturadas com a cliente, análise documental do jogo físico, triangulação de fontes. Itens do backlog detalhados e compreensão compartilhada do problema com a cliente.
Análise e Consenso Priorização contínua e definição de escopo dos próximos itens. Priorização MoSCoW, Matriz Avaliação Técnica x Valor de Negócio, workshops com a cliente. Backlog priorizado, com trade-offs explicitados e funcionalidades críticas no topo.
Declaração Detalhamento dos itens do backlog em diferentes níveis de abstração. Histórias de usuário, critérios de aceitação Given/When/Then, catálogos de RFs, RNFs e regras de negócio. Itens do backlog declarados em linguagem compreensível, rastreáveis ao problema da seção 1.4.
Representação Representação sistêmica do contexto e do problema. Rich Picture AS-IS/TO-BE, Mapa de Stakeholders, Matriz Poder x Interesse, Diagrama de Ishikawa. Entendimento compartilhado sobre o contexto, os atores e o escopo do sistema.
Planejamento da Sprint Análise e Consenso Análise de viabilidade e seleção dos itens da sprint. Discussão em equipe, análise de dependências, programação em pares (XP). Consenso sobre a meta da sprint e os itens selecionados para o Sprint Backlog.
Declaração Refinamento final dos critérios de aceitação dos itens selecionados. Definition of Ready (DoR), critérios Given/When/Then. Histórias de usuário com critérios verificáveis e prontas para desenvolvimento (Ready).
Representação Evolução de protótipos para apoiar a implementação. Protótipos de baixa e média fidelidade, fluxos de navegação conceituais. Representações que orientam a implementação e antecipam validações com a cliente.
Daily Scrum Elicitação e Descoberta Esclarecimento pontual de dúvidas sobre requisitos em desenvolvimento. Conversas curtas com a cliente quando necessário, registro de impedimentos relacionados a requisitos. Impedimentos de ER identificados e tratados com agilidade durante a sprint.
Organização e Atualização Atualização incremental do estado dos itens em desenvolvimento. Sincronização sobre progresso, registro de descobertas que impactam o backlog. Visibilidade contínua do estado dos itens da sprint frente aos requisitos declarados.
Revisão da Sprint Verificação e Validação Validação do incremento entregue com a cliente. Demonstração do incremento funcional, revisão contra critérios de aceitação, Definition of Done (DoD). Incremento validado pela cliente, com feedback registrado para ajuste de itens futuros.
Organização e Atualização Repriorização do backlog com base no aprendizado da sprint. Refinamento do backlog, negociação colaborativa, princípio DEEP. Product Backlog repriorizado e atualizado com itens de maior valor para a próxima sprint.
Retrospectiva da Sprint Organização e Atualização Reflexão sobre o processo de ER e ajuste de práticas. Discussão estruturada da equipe sobre como os requisitos foram tratados, identificação de melhorias. Ajustes nas práticas e técnicas de ER para a próxima sprint, artefatos consistentes e rastreáveis.
Verificação e Validação Verificação da qualidade dos artefatos de requisitos produzidos. Revisão interna pela equipe dos artefatos da sprint, controle de versões. Artefatos de requisitos verificados e versionados ao final de cada sprint.

O mapeamento apresentado evidencia onde cada atividade da ER tem maior ênfase em cada cerimônia do Scrum, sem sugerir uma ordem rígida de execução. As práticas técnicas do XP — como programação em pares, TDD, integração contínua e refatoração — permeiam a execução da sprint e dão suporte à qualidade dos requisitos implementados, em coerência com os valores de comunicação, feedback, simplicidade e confiança que sustentam a prática da Engenharia de Requisitos descrita no capítulo 5 do livro-texto.