2. Solução Proposta
2.1 Objetivo geral do produto
O objetivo do projeto é promover a prática ativa da língua Munduruku na Aldeia de Bragança por meio da evolução tecnológica e funcional da plataforma Nativo, consolidando-a como um espaço de interação comunitária.
2.2 Objetivos Específicos (OE) do Produto
Os objetivos específicos orientam o desenvolvimento das funcionalidades e servem como critério de avaliação das entregas.
| ID | Objetivo Específico |
|---|---|
| OE1 | Aumentar a retenção e o engajamento na plataforma |
| OE2 | Assegurar a integridade e segurança do acervo cultural |
| OE3 | Enriquecer a experiência do usuário na aplicação |
2.3 Características do Produto
As características do produto (CPs) foram mapeadas diretamente aos Objetivos Específicos (OEs), garantindo rastreabilidade entre funcionalidades e objetivos de negócio.
| ID (CP) | Característica (CP) | Descrição resumida | ID (VN) | Valor de Negócio (VN) principal | Contribuição Principal | Contribuição Secundária |
|---|---|---|---|---|---|---|
| CP1 | Criação de Mecanismos interativos de aprendizagem e engajamento | A solução deverá oferecer uma ferramenta onde os Professores podem elaborar atividades personalizadas para os alunos. | VN1 | Aceleração do aprendizado e aumento da retenção, utilizando a prática ativa e o reconhecimento de desempenho para motivar o uso contínuo. | OE1 | OE3 |
| CP2 | Feed Social Comunitário | A solução deverá ter um mural de publicações para que a comunidade e os especialistas possam compartilhar novidades, eventos e saberes da aldeia. | VN2 | Fortalecimento do engajamento comunitário, criando um espaço ativo de resistência cultural e troca de saberes. | OE1 | OE3 |
| CP3 | Controle de usuário | A solução deverá prover ferramentas para gestão de perfis de usuários e controle de níveis de permissão. | VN3 | Garantir a segurança do acervo cultural e o acesso adequado às funcionalidades restritas ou administrativas da plataforma. | OE2 | OE3 |
| CP4 | Sistema de denúncias | A solução deverá viabilizar o reporte e a moderação de conteúdos e postagens inadequadas na plataforma. | VN4 | Assegurar um ambiente virtual seguro e de qualidade para toda a comunidade. | OE2 | OE3 |
| CP5 | Suporte a Multimídia nas Traduções | A solução deverá suportar a adição e a reprodução de conteúdos em áudio e vídeo associados às traduções. | VN5 | Melhoria na qualidade do aprendizado, superando a barreira da tradução puramente textual e auxiliando na memorização visual e auditiva. | OE3 | OE1 |
| CP6 | Perfil de Usuário | A solução permite a visualização do histórico de tradução e o progresso do usuário no aplicativo. | VN6 | Impulsiona o engajamento e a personalização da experiência através do acompanhamento do progresso individual. | OE3 | OE1 |
| CP7 | Sincronização e Acesso Offline de Traduções | A consulta de traduções deverá funcionar mesmo sem acesso à internet. | VN7 | Garantir a disponibilidade e usabilidade contínua do aplicativo mesmo nas áreas da aldeia com baixa ou nenhuma conectividade. | OE3 | OE1 |
2.4 Tecnologias a serem utilizadas
Para a construção da solução proposta para o Nativo, serão utilizadas tecnologias alinhadas à necessidade de evolução da aplicação, suporte a funcionalidades multimídia e adaptação a cenários de baixa conectividade, mantendo compatibilidade com a stack já adotada no projeto. Considerando que a aplicação já se encontra em funcionamento e que a equipe possui familiaridade com as tecnologias utilizadas, optou-se por manter a base atual, realizando melhorias estruturais e refatorações para mitigar os problemas identificados.
No backend, será utilizado Python com Flask, tecnologia já empregada na aplicação atual. Apesar dos desafios relacionados à performance e escalabilidade mencionados anteriormente, a estratégia adotada consiste na refatoração da arquitetura e na adoção de melhores práticas de desenvolvimento, visando melhorar a eficiência, organização e manutenção do sistema. No frontend, será utilizado TypeScript com React Native, considerando que o Nativo é uma aplicação voltada para dispositivos móveis. Essa escolha permite a construção de interfaces mais consistentes, reutilizáveis e alinhadas à experiência de uso em smartphones, além de facilitar a evolução de funcionalidades como suporte a mídias, interações e possíveis mecanismos de engajamento. A comunicação entre frontend e backend será realizada por meio de APIs RESTful, mantendo o padrão já adotado no projeto. Esse modelo possibilita a organização dos serviços da aplicação e a integração entre os diferentes componentes do sistema, garantindo maior modularidade e facilidade de manutenção.
Para persistência de dados, será utilizado o Firebase, com foco no uso de um banco de dados NoSQL, devido à sua flexibilidade para lidar com estruturas dinâmicas, como traduções, perfis de usuários e conteúdos multimídia. Essa escolha também favorece a integração com serviços de armazenamento de arquivos, permitindo suporte a áudios, imagens e outros recursos necessários à proposta do produto. Para o processo de build da aplicação mobile, será utilizado o Gradle, ferramenta já integrada ao ecossistema do React Native para geração do aplicativo Android. Além disso, para apoio ao desenvolvimento colaborativo, serão utilizados Git e GitHub, permitindo versionamento do código, controle de mudanças e colaboração entre os membros da equipe. Por fim, serão respeitadas as diretrizes da licença do projeto, que prevê a livre colaboração e distribuição do software, com ressalvas específicas relacionadas a conteúdos multimídia, como imagens e vídeos armazenados na plataforma.
2.5 Pesquisa de mercado e análise competitiva
No cenário do mercado de soluções digitais voltadas à preservação linguística, o Nativo encontra poucos concorrentes diretos no contexto brasileiro, especialmente por seu foco específico na língua Munduruku e na realidade da Aldeia Munduruku de Bragança. Ainda assim, existem plataformas e aplicativos com propostas parcialmente semelhantes, voltados à preservação, documentação, ensino ou tradução de outras línguas indígenas e ameaçadas, que podem ser considerados referências competitivas.
Entre essas soluções, destaca-se o Woolaroo [1], iniciativa do Google Arts & Culture voltada à exploração de línguas indígenas e ameaçadas por meio de recursos tecnológicos, incluindo reconhecimento de objetos e associação com vocabulário em diferentes idiomas. Apesar de sua proposta de valorização linguística, a plataforma não é voltada especificamente à nenhuma língua indígena brasileira nem resolve a necessidade local de fortalecimento cultural e linguístico da comunidade atendida pelo Nativo.
Outra referência é o MANGUARÉ Lenguas Indígenas [2], aplicativo descrito como um dicionário tradutor de línguas indígenas da Amazônia colombiana, com foco principal em registro, preservação e divulgação linguística. Embora sua proposta se aproxime do eixo de tradução e preservação, a solução não apresenta, ao menos em sua descrição pública, elementos mais amplos de engajamento comunitário, interação social ou mecanismos de incentivo ao uso contínuo da língua.
A solução do Nativo irá se diferenciar por dois aspectos centrais.
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O primeiro é a ampliação das formas de engajamento com a plataforma, por meio de recursos como mural social e quizzes interativos, buscando transformar a aplicação em um espaço mais ativo de participação e aprendizagem contínua.
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O segundo é a valorização de conteúdos visuais e culturais da própria comunidade, com uso de fotos e vídeos, permitindo que a plataforma atue não apenas como ferramenta de tradução, mas também como um repositório vivo da cultura Munduruku, fortalecendo a identificação dos usuários com a aplicação e com o processo de revitalização linguística.
2.6 Viabilidade da proposta
A proposta é considerada viável no contexto da disciplina, tendo em vista o escopo definido e a capacidade técnica da equipe, com previsão de entrega de um MVP consistente e evoluções incrementais ao longo do semestre. Embora o fluxo de comunicação com a comunidade Munduruku apresenta limitações por ocorrer por meio de um representante, o projeto foi estruturado de forma compatível com essa realidade, apoiando-se em elementos já validados junto aos usuários.
O principal risco técnico está associado à necessidade de evolução da arquitetura do back-end, desenvolvido em Python com Flask, para suportar o aumento da complexidade da aplicação, bem como à implementação de mecanismos que garantam funcionamento adequado em cenários com conectividade limitada, como o uso offline em dispositivos móveis. Ainda assim, esse risco é mitigado pela escolha de tecnologias consolidadas, pela organização do desenvolvimento em ciclos incrementais e pela adoção de práticas que favorecem a estabilidade e manutenção do sistema.
Dessa forma, a viabilidade da proposta está condicionada a alguns fatores-chave:
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A manutenção de um escopo controlado ao longo do semestre;
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A priorização de aspectos estruturais da aplicação nas etapas iniciais;
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A garantia de uma comunicação eficiente entre os membros da equipe; e
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O compartilhamento contínuo de conhecimento, de modo a evitar a concentração de responsabilidades e possíveis gargalos no desenvolvimento.
Gestão de riscos preliminar da equipe
| ID | Descrição do Risco | Tipo | Impacto | Probabilidade | Ação de Mitigação (Abordagem OpenUP) |
|---|---|---|---|---|---|
| R1 | Gargalos na Arquitetura Legada: O back-end atual em Flask pode não suportar as novas funcionalidades | Técnico | Alto | Alta | Focar a Fase de Elaboração em refatoração e criação de uma base arquitetural executável antes de desenvolver novas features. |
| R2 | Ruídos de Comunicação e Validação: Como a comunicação com a comunidade é indireta (via representante), requisitos podem ser mal interpretados. | Negócio | Alto | Alta | Utilizar protótipos de alta fidelidade e estabelecer marcos (Milestones) claros de revisão ao final de cada iteração curta para validação contínua com a representante. |
| R3 | Curva de Aprendizado e Rotação: A equipe adotará rodízio de papéis (Frontend/Backend/QA), o que pode gerar atrasos pela falta de domínio técnico específico. | Gerencial | Médio | Alta | Aplicar documentação contínua (Matriz de Rastreabilidade), pair programming e transferir o conhecimento técnico rotineiramente durante as reuniões semanais. |
2.7 Benefícios Esperados
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Para o cliente: Ampliar a capacidade de evolução da plataforma Nativo com maior controle sobre o conteúdo e as interações, redução das limitações técnicas atuais e melhoria da confiabilidade e desempenho da aplicação. A solução também deverá fortalecer o posicionamento do Nativo como uma ferramenta de impacto social e cultural, criando melhores condições para expansão da plataforma, aumento do engajamento da comunidade e continuidade do projeto de revitalização linguística.
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Para os usuários: uma experiência de aprendizado mais interativa, acessível e envolvente, com melhor compreensão da língua por meio de recursos multimídia, uso mais dinâmico da plataforma através de gamificação e maior conexão cultural local por meio do feed comunitário. Além disso, os usuários terão acesso mais estável mesmo sem internet, maior clareza no acompanhamento do próprio progresso e uma participação mais ativa no processo de preservação da língua.