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1. Cenário Atual do Cliente e do Negócio

1.1 Identificação do Cliente

Campo Informação
Nome Nativo
Tipo Aplicativo tradutor de línguas indígenas
Representante Alexia Naara da Silva Cardoso, desenvolvedora única do projeto
Forma de contato Reuniões por vídeo chamada e contato via aplicativo de mensagem
Vínculo com o projeto Desenvolvedora e mantenedora da aplicação, ponte de comunicação com a aldeia de Bragança, responsável por validar decisões do projeto e avaliar entregas realizadas

1.2. Introdução ao Negócio e Contexto

O Nativo é um aplicativo móvel tradutor voltado para a língua indigena Munduruku, com o objetivo de apoiar a revitalização linguística na Aldeia Munduruku de Bragança. Projetado e construído como um projeto de TCC de Alexia Naara a partir da orientação do Professor Doutor Sergio Antônio e coorientado pela Professora Doutora Celia Matsunaga e desenvolvido à tutela do Centro de Estudos, Desenvolvimento e Inovação em Software (CEDIS). O aplicativo conta com tradução bidirecional entre Português e Munduruku, uma sessão informativa, uma página para adicionar e editar traduções, gerenciamento de traduções e de usuários.

A missão do projeto representa uma importante iniciativa tecnológica voltada à preservação cultural e linguística dos povos originários da Amazônia. O projeto atua no processo de revitalização linguística da aldeia, onde a língua nativa tem perdido espaço e uso cotidiano, ameaçando a preservação das raízes culturais da comunidade. Para enfrentar esse enfraquecimento, o Nativo se propõe como um aplicativo móvel que funciona como um repositório de cultura e tradução bilíngue. No entanto, a aplicação não tem aderência na comunidade.

1.3 Rich Picture

O Rich Picture abaixo representa visualmente o sistema Nativo e o contexto em que ele opera, incluindo os atores envolvidos, os fluxos de informação e as tensões existentes no ambiente.

Rich Picture

1.4. Identificação da Oportunidade ou Problema

O problema central a ser enfrentado é o progressivo enfraquecimento do uso cotidiano da língua Munduruku na Aldeia de Bragança. Esse é um cenário agravado pela falta de engajamento contínuo nas atuais ferramentas de apoio. Assim, a principal oportunidade identificada para a evolução do Nativo reside justamente em superar as limitações de uso recorrente da plataforma.

Atualmente, observa-se que a utilização do aplicativo, focada na sua função básica de tradução bidirecional, tende a ser pontual. Esse comportamento reduz significativamente o impacto da ferramenta no processo de preservação e fortalecimento da língua. Esse cenário é explicado pela baixa integração do aplicativo com a rotina dos usuários e pela ausência de estímulos que incentivem a prática constante.

Como consequência, o aprendizado ocorre de forma passiva, o que dificulta a retenção do vocabulário e o desenvolvimento de uma relação mais significativa com o idioma. Sem mecanismos de interação contínua, a plataforma ainda não se consolida como um espaço de pertencimento cultural ou de troca entre os membros da comunidade, limitando seu potencial de contribuir de forma mais ampla para o enfrentamento do epistemicídio e para a valorização dos saberes tradicionais.

Diagrama de Ishikawa

Diagrama de Ishikawa

1.5. Desafios do Projeto

O principal desafio estratégico do projeto reside na complexidade do fluxo de comunicação e validação, uma vez que o contato com a comunidade Munduruku não ocorre de forma direta, mas mediado por uma representante, somado à falta de colaboradores para apoiar o desenvolvimento da aplicação. Esse cenário impacta a agilidade do desenvolvimento, dificulta a coleta de feedbacks em tempo real e compromete a realização completa do escopo inicialmente idealizado. Como consequência, decisões sobre evolução do produto, priorização de funcionalidades e validação das entregas tendem a depender de um processo mais lento e sensível a ruídos de comunicação.

Outro desafio relevante é de natureza técnica. A utilização do Flask na arquitetura atual da aplicação tem gerado dificuldades relacionadas à velocidade de funcionamento e à facilidade de evolução do sistema [5]. Isso impacta diretamente a experiência de uso e também reduz a agilidade para implementar melhorias, correções e novas funcionalidades, o que se torna ainda mais crítico em um projeto que demanda expansão contínua e adaptação às necessidades da comunidade atendida.

1.6. Mapa de Stakeholders

Os principais stakeholders do projeto são: Alexia Naara da Silva Cardoso, como cliente e desenvolvedora da aplicação, com alta influência na solução por validar ideias, escopo e entregas; Professor Sergio Freitas, como representante do CEDIS no produto, contribuindo com apoio às necessidades técnicas da aplicação, embora com menor influência nas decisões do projeto; Professor Márcio, como representante da aldeia e principal elo entre a comunidade e a equipe técnica, com alta influência por transmitir aos desenvolvedores as informações e percepções dos validadores; a diretora e os alunos, como validadores do Nativo, exercendo papel central na avaliação dos requisitos implementados e na comunicação de opiniões sobre a adequação da solução ao contexto real de uso; e a equipe de desenvolvimento, responsável por implementar as melhorias propostas e garantir a viabilidade técnica da aplicação, também com alta influência na concretização e evolução do produto.

Mapa Stakeholders

A seguir, é apresentado um quadro resumo dos stakeholders.

Stakeholder Relação com a solução Interesse principal Influência
Alexia Naara da Silva Cardoso Cliente e desenvolvedora da aplicação Validar ideias, escopo e entregas Alta
Professor Sergio Freitas Representante do CEDIS no produto Prestar apoio a necessidades técnicas da aplicação Baixa
Diretora Validadora institucional do Nativo Avaliar a adequação da solução ao contexto escolar e às necessidades locais Alta
Alunos Usuários e validadores do Nativo Validar e transmitir opiniões sobre os requisitos implementados Média
Professor Márcio Representante da aldeia e interlocutor com a equipe Representar a aldeia, comunicar necessidades do contexto real e intermediar a validação da solução Alta
Equipe de desenvolvimento Desenvolvedores da aplicação Implementar as melhorias e garantir a viabilidade técnica Alta

1.7 Segmentação de Usuários

O aplicativo Nativo atende a quatro principais segmentos de usuários:

  • Crianças de 6 a 12 anos: Público que busca a revitalização linguística, utilizando o aplicativo como ferramenta de consulta rápida, aprendizado fonético e associação visual da língua Munduruku.

  • Professores e Educadores: Atuam como gestores e curadores do conteúdo. Utilizam a plataforma para cadastrar, revisar e organizar o vocabulário nativo, validando a ferramenta para garantir que o conteúdo seja fidedigno.

  • Comunidade e Falantes Nativos: Representam a base de conhecimento e a memória viva da aldeia. Embora não gerenciem o app diretamente, sua colaboração é a fonte primária para as traduções e registros culturais que os professores inserem no sistema.

  • Pesquisadores e Entusiastas da Língua: Interessados na preservação da língua Munduruku, utilizam o sistema como um repositório de consulta gramatical e identidade cultural.