1. Cenário Atual do Cliente e do Negócio
1.1 Identificação do Cliente/Parceiro
- Nome: Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes
- Tipo: Entidade Beneficente de Assistência Social
- Local: Sobradinho
- Representante: Marcelo Souza
- Forma de contato: Reuniões via videoconferência, email e chat de mensagens instantâneas
- Vínculo com o projeto: Diretor e Gestor voluntário da organização não governamental interessada, responsável por gerir e organizar a equipe de funcionários para acompanhamento de rotina dos idosos residentes e validador das decisões tomadas pelo grupo.
1.2 Introdução ao Negócio e Contexto
O Lar dos Velhinhos é uma instituição de cunho social dedicada ao acolhimento e cuidado contínuo de idosos na região de Brasília. É uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) que atua na garantia de qualidade de vida, dignidade e preservação da autonomia de idosos em situação de vulnerabilidade social. O Lar é mantido pela instituição Obras Assistenciais Bezerra de Menezes - OBEM, associação filantrópica, sem fins lucrativos, administrada por voluntários não remunerados e remunerados. Gera mais de 65 empregos diretos, entre cuidadores de idosos, pessoal de escritório, recepção, secretaria, cozinha, lavanderia, limpeza, artesanato, manutenção predial, profissionais das áreas de fisioterapia, medicina, farmácia, terapia ocupacional, musicoterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, podologia, recursos humanos, comunicação e serviço social.
Atualmente, a instituição opera em sua capacidade máxima, abrigando 74 residentes de baixa renda que são encaminhados via convênio com o Governo do Distrito Federal (GDF). A rotina de cuidados exige a coleta e registro de sinais vitais (como pressão arterial, temperatura, glicemia, entre outros) e organiza os cuidados prestados por meio de diagnósticos, procedimentos, evolução para guiar o tratamento de forma segura e contínua diversas vezes ao dia para cada um dos residentes.
Atualmente, esse processo de registro de saúde é feito de forma manual por meio anotações em formulário em papel e pranchetas e posteriormente é repassado para o excel também de forma manual para posterior uso em uma ferramenta de gestão de planilhas por meio do Microsoft Access. Isso, aumenta o tempo gasto empenhado pela equipe de cuidadores que gera dificuldades no armazenamento, na integração com outros sistemas de gestão do asilo e na rápida tomada de decisão por parte da equipe médica e diretoria.
1.3 Rich Picture

Imagem 1. Criação própria (equipe Atenas).
O diagrama ilustra o fluxo atual de registro das informações dos idosos, destacando a coleta manual em papel, o armazenamento físico das anotações, o retrabalho de transcrição posterior e a dificuldade de acesso rápido ao histórico. A representação evidencia os principais gargalos do processo atual: risco de perda de informações, demora na consolidação dos dados, dependência de registros físicos e dificuldade de acompanhamento contínuo pela equipe responsável.
1.4 Identificação da Oportunidade ou Problema
Identificamos os desafios assistenciais e operacionais do Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes, administrado pelo diretor voluntário Marcelo Souza, que atualmente acolhe em sua capacidade máxima 74 residentes com variados graus de dependência física e cognitiva. Para garantir a segurança e a saúde desses residentes, o protocolo de cuidado exige a realização de monitoramentos diários rigorosos, que vão além dos sinais vitais (pressão arterial, glicemia, temperatura e frequência cardíaca), englobando a rotina de saúde completa, como a oferta de água, aceitação alimentar, administração de medicamentos, integridade da pele e padrão de eliminação a cada troca de fralda.
O problema central da instituição reside na inviabilidade do acompanhamento preventivo devido ao fluxo manual de registro dessas informações. Atualmente, a coleta inicial na beira do leito é realizada de forma estritamente manual por meio de pranchetas de papel. Posteriormente, exige-se um esforço de dupla digitação para que os dados sejam centralizados em um banco de dados local estruturado em Microsoft Access. Por ser uma ferramenta legado, restrita a computadores desktop e sem capacidade de operação móvel, o Access não suporta a dinâmica transacional dos cuidadores, isolando a informação no momento em que ela é mais necessária.
Essa limitação arquitetural torna a leitura retrospectiva lenta e inviabiliza o monitoramento clínico em tempo real. Sem uma centralização digital imediata, a diretoria e a equipe de saúde perdem a capacidade de agir de forma preditiva, demorando, por exemplo, a notar que um idoso não se alimentou ou não evacuou por dias sucessivos. Além disso, a alta rotatividade de cuidadores agrava o risco de erros operacionais na transcrição do papel para o computador, o que impacta diretamente a geração de relatórios de conformidade analisados pelos gestores da Instituição.
Imagem 2 - Diagrama de Ishikawa. Criação Própria.
1.5 Desafios do Projeto
O principal desafio do projeto é compreender e representar adequadamente a rotina atual de registro e acompanhamento assistencial do Lar dos Velhinhos, que combina anotações manuais em papel, transcrição posterior para planilhas e uso do Microsoft Access como ferramenta de apoio à gestão das informações. Esse fluxo exige cuidado na análise dos requisitos, pois envolve diferentes tipos de registros relacionados à rotina dos idosos, como sinais vitais, alimentação, hidratação, higiene, medicação e observações diárias.
Outro desafio relevante está na usabilidade. Segundo as necessidades levantadas junto ao cliente, o processo de preenchimento deve ser simples, rápido e pouco dependente de digitação, uma vez que será utilizado em uma rotina dinâmica e por profissionais com diferentes níveis de familiaridade tecnológica. Assim, os requisitos devem considerar uma experiência de uso objetiva, com informações padronizadas, redução de ambiguidades e apoio ao preenchimento correto dos registros.
A alta rotatividade de funcionários e cuidadores também representa um ponto de atenção. O fluxo de registro deve ser de fácil compreensão, com baixa curva de aprendizado, para que novos usuários consigam se adaptar rapidamente sem depender de treinamentos extensos. Isso exige que os requisitos priorizem clareza, consistência, organização das informações e facilidade de uso.
Por fim, o projeto envolve informações pessoais e dados sensíveis de idosos, o que torna necessário considerar, desde a especificação dos requisitos, aspectos de privacidade, controle de acesso, rastreabilidade e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados. Além disso, o grande volume de registros realizados diariamente exige atenção à padronização das informações, de modo a reduzir erros, atrasos, perdas de dados e dificuldades na consulta ao histórico dos residentes.
1.6 Mapa de Stakeholders
Os principais stakeholders do projeto são: Marcelo Souza, como representante do cliente e principal responsável por validar prioridades, regras de negócio e a transição do sistema legado; o Prof. George Marsicano, na função de cliente acadêmico da disciplina de Requisitos de Software, responsável por validar a qualidade do processo de engenharia aplicado e garantir o alinhamento metodológico do projeto; Cuidadores, diretamente impactados pela digitalização dos processos de rotina e responsáveis pela alimentação diária de dados de saúde; Equipe Multidisciplinar (Fisioterapia, Fonoaudiologia e Assistência Social), que utilizará o sistema para registro de evoluções e consulta de prontuários digitais; Idosos Residentes, que são os beneficiários finais do monitoramento e da segurança garantida pelo software; e a Equipe de Desenvolvimento, responsável por projetar a arquitetura de dados e implementar uma solução de alta usabilidade para dispositivos móveis (tablets). Adicionalmente, figuram como stakeholders externos os Órgãos Reguladores (ANVISA/MP/GDF), que impõem requisitos de conformidade legal.
| Stakeholder | Relação com a solução | Interesse principal | Influência |
|---|---|---|---|
| Marcelo Souza (Diretor Voluntário) | Representante do cliente (Diretoria) | Validar escopo, regras de negócio, relatórios gerenciais e viabilizar o servidor | Alta |
| Prof. George Marsicano (UnB/FGA) | Cliente acadêmico da disciplina de Requisitos de Software | Validar a aplicação correta do processo de Engenharia de Requisitos e a qualidade dos artefatos produzidos pela equipe | Alta |
| Cuidadores / Enfermeiros | Usuários finais diretos do App | Registro rápido de rotinas, sinais vitais. Registrar os dados de forma mais rápida, segura e com menos retrabalho. | Alta |
| Equipe Multidisciplinar | Usuários especialistas | Acompanhar evolução clínica e histórico de prontuários | Média |
| Equipe de Desenvolvimento | Desenvolvedores responsáveis pela solução do produto | Entregar uma solução viável, segura e de qualidade. | Alta |
| Órgãos Reguladores (ANVISA/MP) | Reguladores externos | Garantir a conformidade legal e os direitos dos idosos | Alta |
| Idosos (74 residentes) | Impactados pela solução | Receber cuidados de saúde mais precisos graças ao histórico digital de qualidade. | Baixa |

Imagem 3 - Mapa dos Stakeholders. Criação Própria.
1.7 Segmentação de Usuários e StakeHolders
Esta seção apresenta os principais grupos envolvidos no processo de registro e acompanhamento assistencial dos idosos, organizando-os de acordo com seus papeis na rotina de cuidado. Os segmentos abaixo são tratados como usuários diretos, usuários especialistas ou stakeholders internos, conforme sua participação no fluxo de informações e nas decisões relacionadas ao acompanhamento dos residentes:
-
Cuidadores: Profissionais que atuam na linha de frente do cuidado diário aos idosos. Constituem o principal grupo de usuários diretos, pois são responsáveis por registrar informações da rotina assistencial dos residentes, como sinais vitais, alimentação, hidratação, higiene, medicação e observações diárias. Por atuarem em uma rotina dinâmica, necessitam de um fluxo de registro simples, rápido, claro e com baixa dependência de digitação.
-
Equipe multidisciplinar: Grupo formado por profissionais especializados, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, musicoterapeutas e outros profissionais de apoio terapêutico. Esses usuários acompanham a evolução funcional, cognitiva, social e clínica dos idosos, utilizando os registros assistenciais como apoio para compreender o histórico dos residentes e planejar intervenções adequadas.
-
Assistentes sociais: Profissionais responsáveis pela avaliação social dos idosos, pelo acompanhamento da situação familiar, pelo processo de acolhimento e pela articulação com órgãos públicos e serviços de assistência social. Atuam como stakeholders internos relevantes, pois dependem de informações confiáveis e organizadas para apoiar decisões relacionadas ao cuidado, à permanência e ao acompanhamento social dos residentes.
-
Diretoria e gestão institucional: Grupo responsável por representar os interesses do Lar dos Velhinhos no projeto, validar prioridades, acompanhar os impactos da solução na rotina da instituição e apoiar a tomada de decisões. Possui alta influência sobre o projeto, pois define necessidades institucionais, valida regras de negócio e acompanha a qualidade do cuidado prestado.
-
Equipe administrativa: Segmento responsável por atividades de apoio à coordenação e ao funcionamento interno da instituição, incluindo organização operacional, relacionamento com órgãos públicos, apoio a relatórios e suporte à gestão. Atua como stakeholder interno, pois depende de informações consolidadas, rastreáveis e confiáveis para apoiar fiscalizações, decisões gerenciais e acompanhamento institucional.
Histórico de Revisão
| Data | Versão | Descrição | Autor |
|---|---|---|---|
| 03/04/2026 | 1.0 | Criação do documento (Seções 1 a 2.3) para submissão da proposta. | Alberto Côrtes, João Pedro Sampaio, Ana Caroline, Enzo Menali e Gustavo Xavier |
| 10/04/2026 | 1.1 | Finalização e correção do documento para primeira entrega (Seções 1 a 6) para submissão. | Alberto Côrtes, Ana Caroline, Enzo Menali e Gustavo Xavier |
| 13/04/2026 | 1.2 | Lançamento dessa seção no GitPages | Gustavo Xavier |
| 14/04/2026 | 1.3 | Adição do Prof. George Marsicano como stakeholder (cliente acadêmico) | Gustavo Xavier |