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Engenharia de requisitos

5 Engenharia de requisitos

A partir das informações apresentadas na seção 3, devem ser estabelecidas as atividades da Engenharia de Requisitos (ER), suas práticas e técnicas em alinhamento ao processo ScrumXP informado.

5.1 Atividades e técnicas de ER e ScrumXP

Planejamento da release

Elicitação e descoberta

  • Entrevistas com o cliente: entrevistas estruturadas com o Dr. Rogério para identificar necessidades do fluxo assistencial, prioridades do consultório, restrições operacionais e expectativas quanto à segurança e privacidade dos dados clínicos.
  • Brainstorming com a equipe: sessões de brainstorming para explorar soluções técnicas e funcionais a partir das necessidades levantadas nas entrevistas, gerando alternativas de design e identificando requisitos complementares.
  • Análise de domínio clínico: estudo do fluxo SOAP, protocolos clínicos e referências como o eSUS PEC, para embasar os requisitos com o contexto médico real. O Dr. Rogério valida se a análise reflete fielmente a prática do consultório.

Análise e consenso

  • Priorização MoSCoW com o cliente: classificação das funcionalidades em Must have, Should have, Could have e Won't have, com participação direta do Dr. Rogério para assegurar que a priorização reflita o impacto clínico real.
  • Análise de custo/benefício: avaliação do impacto de cada funcionalidade em relação ao esforço de desenvolvimento, considerando o prazo acadêmico.
  • Validação de RNFs clínicos: o Dr. Rogério revisa os requisitos não-funcionais ligados a desempenho em consulta, legibilidade do prontuário, conformidade com normas do CFM e proteção de dados (LGPD).

Declaração

  • Temas, épicos e user stories: organização dos requisitos em temas (ex.: prontuário, autenticidade) e user stories com critérios de aceitação, seguindo a cadeia de rastreabilidade OE → CP → requisito → user story → critério de aceitação → teste → entrega.

Verificação e validação

  • Revisão de clareza, consistência e completude: verificação antecipada dos requisitos declarados quanto à clareza das definições, consistência entre requisitos funcionais e não-funcionais, e completude frente aos objetivos específicos (OEs) e características do produto (CPs).
  • Verificação de RNFs críticos: avaliação dos requisitos de segurança, privacidade, auditoria, integridade documental, disponibilidade, controle de acesso e conformidade (LGPD/CFM) quanto à verificabilidade — cada RNF deve ser mensurável e testável antes de avançar para a sprint.
  • Validação clínica com o Dr. Rogério: o cliente valida se os requisitos de alto nível refletem fielmente as necessidades do consultório e se os RNFs sensíveis estão adequados à prática médica.

Organização e atualização

  • Estruturação inicial do backlog da release: organização do backlog com os requisitos priorizados, épicos e user stories classificados por tema, com rastreabilidade aos OEs e CPs correspondentes.
  • Definição do baseline de RNFs: registro formal dos RNFs críticos aceitos para a release, servindo como referência para verificação nas sprints subsequentes.

Planejamento da sprint

Elicitação e descoberta

  • Entrevistas e análise documental: refinamento dos detalhes clínicos de cada funcionalidade com o Dr. Rogério antes do início da sprint, incluindo validação de fluxos SOAP, regras clínicas e cenários de uso.

Análise e consenso

  • Discussões em equipe, análise de tarefas: análise de dependências técnicas entre módulos (ex.: cadeia de hash depende do módulo SOAP estar funcional).

Verificação e validação

  • Verificação pré-desenvolvimento: antes de a sprint iniciar, cada user story é verificada quanto à clareza, consistência com os RNFs críticos, completude dos critérios de aceitação e viabilidade de teste. Histórias que envolvem segurança, privacidade, integridade documental ou conformidade são revisadas com atenção especial.
  • Validação de histórias e fluxos com o Dr. Rogério: o cliente valida as user stories candidatas à sprint, especialmente critérios de aceitação de fluxo SOAP, regras clínicas e RNFs sensíveis, garantindo que estejam corretas antes do desenvolvimento.

Declaração

  • Critérios de aceitação detalhados, DoR: garantia de que cada user story possui critérios de aceitação claros antes de entrar em desenvolvimento. O Dr. Rogério revisa e aprova os critérios de aceitação, especialmente aqueles relacionados ao fluxo SOAP, regras clínicas e RNFs sensíveis (segurança, privacidade, integridade documental), como parte do Definition of Ready.

Organização e atualização

  • Grooming do backlog com o cliente: refinamento e repriorização do backlog com a equipe e o Dr. Rogério ao início de cada sprint. O cliente valida as user stories candidatas, confirma prioridades clínicas e aprova quaisquer mudanças de escopo ou novos requisitos.
  • Gestão de mudanças: alterações em requisitos clínicos, fluxo SOAP ou regras de negócio identificadas durante o grooming passam por aprovação do Dr. Rogério antes de serem incorporadas ao backlog da sprint.

Execução da sprint

Representação

  • Protótipos e wireframes: criação de protótipos de interface para funcionalidades como o formulário SOAP, a tela de histórico do paciente e o controle de acesso.

Verificação e validação

  • Checklist, revisão de critérios de aceitação: verificação de que os critérios de aceitação foram atendidos antes de marcar uma user story como concluída.
  • Validação clínica intermediária: em funcionalidades que envolvem o fluxo SOAP, regras clínicas ou decisões sobre segurança e privacidade, o Dr. Rogério é consultado durante a sprint para validar protótipos e comportamentos antes da entrega final.

Verificação e validação

  • DEEP (Detalhado, Estimado, Emergente, Priorizado): verificação contínua de que os itens do backlog da sprint estão suficientemente detalhados, com estimativas realistas, refletindo entendimentos emergentes e priorizados conforme o valor clínico. Itens que não atendem aos critérios DEEP são sinalizados para refinamento antes de continuar.

Organização e atualização

  • Revisão do backlog da sprint: ajuste contínuo do backlog durante a sprint conforme surgem novos entendimentos técnicos ou clínicos.

Revisão da sprint

Verificação e validação

  • Coleta de feedback, workshop de requisitos: demonstração ao Dr. Rogério das funcionalidades entregues e coleta de feedback para orientar o próximo ciclo.
  • Aprovação de decisões de segurança e privacidade: o Dr. Rogério aprova formalmente funcionalidades que afetam segurança do paciente, privacidade de dados (LGPD) e integridade da cadeia de autenticidade do prontuário antes da liberação.

Declaração

  • Incorporar feedback, negociação: ajuste das user stories com base no feedback do cliente e negociação de prioridades para a sprint seguinte.

Retrospectiva da sprint

Verificação e validação

  • Avaliação do processo de ER: a equipe verifica se as práticas de ER adotadas na sprint foram eficazes — se os requisitos estavam claros o suficiente, se os critérios de aceitação eram verificáveis, se os RNFs críticos foram adequadamente tratados e se houve falhas de comunicação com o cliente.
  • Análise de causas-raiz: identificação das causas de defeitos, retrabalho ou mal-entendidos relacionados a requisitos, para prevenir recorrências.

Planejamento da próxima release

Elicitação e descoberta

  • Workshops com o cliente: identificação de novos requisitos para a próxima release com base no produto entregue e nas necessidades emergentes do consultório.

Análise e consenso

  • Priorização MoSCoW, mapeamento de valor: revisão estratégica das prioridades para a próxima release, considerando o feedback acumulado.

Declaração

  • Criação de épicos, user stories, INVEST: user stories seguindo o modelo INVEST para objetivos da próxima release.

Verificação e validação

  • DEEP do backlog da release: verificação de que o backlog da próxima release atende aos critérios DEEP (Detalhado, Estimado, Emergente, Priorizado), com atenção especial à verificabilidade dos RNFs críticos.

Organização e atualização

  • Revisão e baseline do backlog da release: backlog revisado, priorizado e preparado para o início do próximo ciclo de desenvolvimento, com rastreabilidade atualizada (OE → CP → requisito → US).

5.2 Engenharia de requisitos e o ScrumXP

As atividades da ER, suas práticas e técnicas são mapeadas a partir das fases do ScrumXP, conforme a tabela a seguir. Esta tabela sintetiza o detalhamento apresentado na seção 4.1.

Fases do ScrumXP Atividades da ER Prática Técnica Resultado esperado
Planejamento da release Elicitação e descoberta Levantamento de requisitos Entrevistas estruturadas com o cliente, brainstorming com a equipe, análise de domínio clínico (fluxo SOAP, protocolos, eSUS PEC) Requisitos de alto nível identificados e validados; objetivos da release definidos com base no domínio clínico.
Planejamento da release Análise e consenso Priorização de requisitos Priorização MoSCoW, análise custo/benefício Escopo e funcionalidades críticas priorizadas.
Planejamento da release Declaração Registro dos requisitos Temas, épicos e user stories (com rastreabilidade OE → CP → requisito → US) User stories rastreáveis aos OEs e CPs.
Planejamento da release Verificação e validação Revisão antecipada de requisitos Revisão de clareza, consistência, completude; verificação de RNFs críticos Requisitos verificados e validados antes das sprints.
Planejamento da release Organização e atualização Estruturação do backlog Backlog inicial, baseline de RNFs Backlog estruturado com rastreabilidade e RNFs definidos.
Planejamento da sprint Elicitação e descoberta Refinamento de requisitos Entrevistas, análise documental Requisitos refinados para a sprint.
Planejamento da sprint Análise e consenso Análise de dependências Discussões em equipe, análise de tarefas Consenso sobre viabilidade e priorização.
Planejamento da sprint Declaração Critérios de aceitação Critérios detalhados, DoR User stories com critérios de aceitação validados pelo cliente.
Planejamento da sprint Verificação e validação Verificação pré-desenvolvimento e validação de requisitos Revisão de clareza, consistência com RNFs, verificabilidade; checklist de critérios de aceitação User stories verificadas, validadas e aprovadas para desenvolvimento.
Planejamento da sprint Organização e atualização Refinamento do backlog Grooming do backlog Backlog refinado e priorizado com aval clínico.
Execução da sprint Representação Criação de protótipos Protótipos, wireframes Protótipos que orientam a implementação.
Execução da sprint Verificação e validação Validação clínica intermediária Consulta ao cliente sobre protótipos e comportamentos de funcionalidades sensíveis (fluxo SOAP, segurança, privacidade) Funcionalidades sensíveis validadas clinicamente antes da revisão da sprint.
Execução da sprint Verificação e validação DEEP do backlog DEEP (Detalhado, Estimado, Emergente, Priorizado) Backlog verificado e atualizado conforme critérios DEEP.
Execução da sprint Organização e atualização Revisão do backlog Revisão do backlog da sprint Backlog atualizado e alinhado.
Revisão da sprint Verificação e validação Demonstração ao cliente Coleta de feedback, workshop de requisitos Funcionalidades verificadas; feedback coletado; aprovação formal de itens sensíveis.
Revisão da sprint Declaração Atualização de user stories Incorporar feedback, negociação User stories ajustadas conforme feedback.
Retrospectiva da sprint Verificação e validação Avaliação do processo de ER Análise de causas-raiz, revisão de eficácia das práticas de ER Causas de defeitos e retrabalho identificadas; melhorias no processo de ER definidas.
Planejamento da próxima release Elicitação e descoberta Identificação de novos requisitos Workshops com o cliente, análise de domínio clínico Novos requisitos identificados e validados com o cliente; backlog da próxima release alimentado.
Planejamento da próxima release Análise e consenso Priorização estratégica Priorização MoSCoW, mapeamento de valor Requisitos priorizados para a próxima release.
Planejamento da próxima release Declaração Épicos e user stories Criação de épicos, user stories, INVEST User stories para objetivos da próxima release.
Planejamento da próxima release Verificação e validação DEEP do backlog da release DEEP (Detalhado, Estimado, Emergente, Priorizado) Backlog verificado conforme critérios DEEP.
Planejamento da próxima release Organização e atualização Revisão do backlog Revisão e baseline do backlog da release Backlog preparado com rastreabilidade atualizada.

Histórico de Revisões

Data Versão Descrição Autor
2026-05-18 0.1 Elaboração e revisão das atividades e técnicas de ER mapeadas ao ScrumXP. Prontuariantes