3. Intervenção Social
Unidade 01
A intervenção social produzida pela solução vai além da mera digitalização de vendas. O projeto atua na reestruturação do poder de precificação, na reconfiguração da ponte direta entre o consumidor urbano e o produtor, e no ordenamento do acesso físico a uma Área de Proteção Ambiental (APA).
Entre os impactos pretendidos, destacam-se:
- Autonomia financeira: Redução da dependência de atravessadores, garantindo a retenção integral da margem na comunidade e a mitigação de desperdícios por falta de escoamento.
- Diversificação de renda: Integração da comercialização agroecológica e do turismo de base comunitária em uma oferta territorial unificada.
- Inclusão digital: Fomento à visibilidade institucional da Rede Cafuringa por meio de uma interface adaptada a diferentes níveis de letramento tecnológico.
- Transparência de procedência: Sistema de comprovação que informa o consumidor sem excluir sumariamente o produtor em transição agroecológica.
- Ordenamento do ecoturismo: Ferramentas de agendamento prévio para proteger a capacidade de suporte ambiental das propriedades e do território.
A implantação do sistema também pode gerar efeitos emergentes e riscos colaterais que exigem monitoramento contínuo:
- Desigualdade interna: Risco de concentração de demanda em propriedades mais hábeis digitalmente ou melhor localizadas.
- Estigmatização comercial: Possibilidade de a ausência temporária de certificação oficial ser interpretada de forma punitiva pelo mercado.
- Pressão turística: Aumento do fluxo sobre vias e nascentes rurais da APA.
- Exposição de privacidade: Divulgação vulnerável da geolocalização de residências e ecovilas.
- Exclusão digital: Dificuldade de adoção da plataforma por produtores com baixo letramento tecnológico ou acesso limitado e instável à internet.
Dessa forma, esses efeitos colaterais não invalidam a viabilidade da solução, mas atuam como balizadores de engenharia e design de software. Para mitigá-los, os riscos sociais serão traduzidos em requisitos técnicos verificáveis, conforme a derivação inicial apresentada a seguir. Essa derivação será detalhada como requisitos funcionais e não funcionais nas próximas unidades:
| Risco identificado | Requisito verificável derivado |
|---|---|
| Exposição de privacidade | Exibição de localização aproximada (por raio/área) como padrão, com liberação da localização exata condicionada a consentimento explícito do produtor e à confirmação da pré-reserva. |
| Pressão turística | Definição de um limite máximo de visitantes por período, configurável pelo anfitrião, com liberação da visita condicionada à confirmação expressa do anfitrião. |
| Desigualdade interna (concentração de visibilidade) | Critérios de ordenação e filtros de busca transparentes e auditáveis (ex.: proximidade, categoria, data de atualização), sem priorização paga ou oculta de perfis. |
| Estigmatização comercial | Distinção visual e textual explícita entre as situações "certificado", "em transição" e "não informado", vedando rótulos ambíguos ou de caráter punitivo. |
| Exclusão digital | Realização de testes de usabilidade durante o desenvolvimento e disponibilização de interface leve. |