1. Cenário Atual do Cliente e do Negócio
Unidade 01
1.1 Identificação do Cliente
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Rede Cafuringa |
| Tipo | Produtores rurais individuais e arranjos coletivos |
| Representante | Jefferson Sooma (articulador da rede de comunidades intencionais da APA da Cafuringa) |
| Forma de contato | Entrevistas presenciais, reuniões virtuais de acompanhamento e canal de mensagens instantâneas |
| Vínculo com o projeto | Cliente real e representante da parte interessada principal, responsável por fornecer informações sobre o negócio, avaliar se as decisões do projeto e as entregas realizadas ao longo do desenvolvimento são de real interesse da parte representada |
1.2. Introdução ao Negócio e Contexto
A Cafuringa é uma rede e articulação territorial composta por pequenos produtores rurais familiares, ecovilas, comunidades intencionais e associações locais situadas na Área de Proteção Ambiental (APA) da Cafuringa, no Distrito Federal e Entorno. Essa iniciativa integra a produção agroecológica e orgânica de alimentos, o beneficiamento de produtos artesanais e a oferta de serviços de ecoturismo e turismo de base comunitária, incluindo vivências rurais, trilhas, passeios ecológicos e hospedagem simples.
A missão central da Cafuringa, sintetizada em seu lema "Servimos à Terra", consiste em conectar diretamente os produtores e membros da comunidade local aos consumidores e visitantes da RIDE-DF, eliminando a dependência de atravessadores e garantindo uma remuneração justa para quem vive no campo. Além disso, a iniciativa busca diversificar as fontes de renda das famílias por meio da valorização conjunta dos produtos agrícolas e dos atrativos naturais e culturais da região. Todo esse trabalho é pautado pelo compromisso com a preservação ambiental da APA, o incentivo ao consumo consciente, o fortalecimento dos modos de vida comunitários e a promoção de práticas sustentáveis de turismo.
A rede já opera uma iniciativa própria de comercialização, a Cafuringa Store, hoje hiperfocada na oferta continuada de produtos e serviços não perecíveis ou de validade ampliada, com disponibilidade conforme a sazonalidade da produção. A nova plataforma proposta atuará paralelamente à Cafuringa Store, funcionando como um diretório complementar que não substituirá o e-commerce atual. Enquanto a Cafuringa Store manterá o foco transacional, o novo sistema visa ser um espaço de visibilidade tanto para os produtos, quanto para o ecoturismo, compartilhando os mesmos administradores.
1.3 Rich Picture
O Rich Picture ilustra o cenário atual da APA da Cafuringa, evidenciando o contraste entre a demanda urbana do Distrito Federal por alimentos agroecológicos e ecoturismo e as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais e ecovilas na comercialização e divulgação de seus serviços. No centro do modelo, destacam-se os gargalos operacionais, como a dependência de canais informais e pulverizados (WhatsApp e Instagram), a perda de margem de lucro para atravessadores, problema relatado brevemente e corroborado por análises recentes sobre o esmagamento das margens no agronegócio. Adiciona-se também a incerteza jurídica quanto à certificação orgânica e o risco de sobrecarga nas propriedades por falta de agendamento prévio.
1.4. Identificação da Oportunidade ou Problema
A principal oportunidade identificada no contexto da Rede Cafuringa está relacionada à ampliação da visibilidade e da conexão entre os produtores agroecológicos e as comunidades da APA da Cafuringa e os consumidores e visitantes do Distrito Federal e Entorno. Atualmente, a comercialização de produtos e a divulgação do ecoturismo de base comunitária dependem de canais pulverizados e informais, como redes sociais e grupos de mensagens, o que limita o alcance de novos clientes, contribui para perdas de alimentos após as feiras e reduz o aproveitamento dos atrativos rurais, como trilhas, vivências e hospedagens (problema relatado em algumas conversas com Jefferson). Esse gargalo é corroborado pelo artigo científico divulgado pela Revista Engema, que identifica a instabilidade da demanda e a falta de canais secundários de venda como grandes causadores de desperdício entre pequenos produtores. Como solução estrutural, o relatório "Enfrentamento a Perdas e Desperdício de Alimentos", recomenda o fortalecimento de circuitos curtos de produção e consumo, utilizando plataformas que conectem diretamente os agricultores às áreas urbanas para escoar os excedentes das feiras livres.
Além disso, existem dificuldades relacionadas ao acesso e à verificação de informações sobre a situação de certificação orgânica dos produtores, o que pode comprometer a transparência das informações disponibilizadas aos consumidores e gerar riscos regulatórios e operacionais.
Por outro lado, o Distrito Federal apresenta um cenário econômico e turístico favorável. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, o Distrito Federal apresentou, em 2025, o maior rendimento nominal mensal domiciliar per capita entre as unidades da Federação, alcançando R$ 4.538, frente a R$ 2.316 na média nacional. Além disso, estudos e documentos da Secretaria de Turismo do Distrito Federal apontam o potencial do território para o turismo rural, o ecoturismo e o turismo de experiência, incluindo atividades relacionadas ao contato com a natureza, à produção agrícola e à gastronomia regional. Nesse contexto, a integração entre produção agroecológica, experiências rurais e turismo sustentável apresenta uma oportunidade de geração e retenção de valor na economia local. Sem uma plataforma acessível, sem intermediação financeira e otimizada para o contexto rural, pequenos produtores e empreendedores locais podem encontrar dificuldades para ampliar sua visibilidade e alcançar diretamente consumidores e visitantes.
A figura a seguir apresenta o diagrama de Ishikawa contendo as causas e o problema central da Cafuringa.
Diagrama de Ishikawa
1.5. Desafios do Projeto
O principal desafio técnico do projeto é desenvolver uma aplicação web responsiva leve e resiliente, capaz de operar de forma eficiente mesmo sob condições de conectividade rural instável e em dispositivos móveis de entrada. Estudos recentes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) indicam que o letramento digital e o acesso à internet são os maiores obstáculos para a agricultura familiar ingressar no comércio eletrônico. Considerando que os produtores e ecovilas da APA da Cafuringa refletem essa mesma heterogeneidade (conforme relatado por Jefferson nas reuniões de levantamento), o sistema precisa oferecer uma navegação simplificada, altamente intuitiva e acessível. Além disso, a modelagem do sistema exige flexibilidade para representar tanto o produtor individual quanto os arranjos coletivos complexos com atrativos turísticos compartilhados.
Outro desafio crítico envolve a conformidade legal e regulatória, especialmente na aplicação do marco regulatório da produção orgânica (Lei nº 10.831/2003) e da LGPD. A plataforma precisa garantir o bloqueio técnico da rotulagem "orgânico" para produtores não certificados, sem excluí-los do sistema e mantendo a transparência de seu manejo agroecológico. Por fim, o projeto enfrenta a restrição de operar sob um orçamento de custo zero, sem a cobrança de taxas ou comissões dos produtores, o que exige a utilização estratégica de infraestruturas gratuitas na nuvem e a rigorosa priorização de escopo para a entrega do MVP.
1.6. Mapa de Stakeholders
Os principais stakeholders do projeto são Jefferson Sooma, representante dos produtores e das comunidades intencionais da APA da Cafuringa, responsável por articular as necessidades locais, alinhar prioridades e validar as entregas do sistema; os produtores rurais individuais, associações e ecovilas, que constituem os principais usuários do lado da oferta, utilizando a plataforma para divulgar seus produtos e atrativos turísticos; os consumidores e visitantes do Distrito Federal, usuários finais interessados em localizar produtores, acessar informações sobre alimentos agroecológicos e conhecer opções de turismo em meio à natureza; e a equipe de desenvolvimento (Grupo Bytelab), responsável pela construção e arquitetura da aplicação web responsiva (PWA), garantindo acessibilidade, segurança e gratuidade operacional. Além desses stakeholders principais, o projeto envolve stakeholders do ecossistema, como a Emater-DF, o IBRAM, os organismos de certificação e OCS, os órgãos e entidades ligados ao turismo e as pessoas responsáveis pela conferência dos cadastros, que contribuem, conforme suas atribuições, para o apoio técnico, a gestão ambiental, a certificação e rastreabilidade, o fortalecimento do turismo sustentável e a validação das informações disponibilizadas na plataforma. A definição dos responsáveis pela conferência dos cadastros ainda será alinhada com Jefferson Sooma.
A seguir, é apresentado um quadro resumo dos stakeholders.
| Stakeholder | Papel | Principal Interesse | Nível de Influência | Estratégia de Engajamento |
|---|---|---|---|---|
| Jefferson Sooma | Articulador comunitário e representante do cliente | Validar requisitos de campo, escopo e alinhar prioridades | Alta | Reuniões virtuais quinzenais e entrevistas de alinhamento estratégico |
| Produtores Rurais Individuais e Associações | Usuários primários (lado da oferta) | Vender alimentos diretos da origem e divulgar atrativos rurais sem pagar comissões | Alta | Visitas diretas às propriedades/ecovilas |
| Consumidores e Visitantes do DF | Usuários finais (lado da demanda) | Localizar produtores por geolocalização, garantir a veracidade dos orgânicos e agendar visitas | Média | Questionários virtuais e testes de usabilidade com protótipos navegáveis |
| Equipe de Desenvolvimento (Bytelab) | Responsável pela construção e arquitetura do produto | Entregar um MVP funcional, acessível, seguro e dentro do prazo acadêmico | Alta | Ciclos contínuos de desenvolvimento e alinhamentos assíncronos |
| Emater-DF | Apoio técnico e extensão rural | Fortalecer a agricultura familiar e o desenvolvimento rural | Baixa | Monitoramento passivo de cartilhas técnicas, normativas e legislações vigentes disponibilizadas pelos órgãos |
| IBRAM | Licenciamento ambiental e gestão da APA | Preservação ambiental e uso sustentável da área | Baixa | Monitoramento passivo de cartilhas técnicas, normativas e legislações vigentes disponibilizadas pelos órgãos |
| Organismos de certificação e OCS | Garantia da produção orgânica e rastreabilidade | Conformidade com normas e certificações | Baixa | Consulta à legislação orgânica e validação das regras de negócio com o cliente |
| Órgãos e entidades ligadas ao turismo | Promoção e apoio ao turismo sustentável | Fomento ao ecoturismo de base comunitária | Baixa | Monitoramento passivo de cartilhas técnicas, normativas e legislações vigentes disponibilizadas pelos órgãos |
| Administradores da Plataforma | Validação de informações da plataforma | Confiabilidade e segurança dos dados | Média | Treinamento e comunicação direta |
1.7 Segmentação de Usuários
A plataforma Cafuringa atende a quatro principais segmentos de clientes, divididos entre o lado da oferta (produtores e comunidades) e o lado da demanda (consumidores e visitantes):
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Produtores familiares e agroecológicos: Pequenos agricultores e produtores artesanais da APA da Cafuringa, certificados ou não certificados. Buscam autonomia comercial, eliminação de intermediários e um canal gratuito e direto para escoar sua produção agrícola e artigos artesanais de forma transparente.
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Comunidades intencionais e ecovilas: Arranjos coletivos e associativos que compartilham infraestrutura na região. Utilizam a plataforma para promover produtos de baixa perecibilidade e, principalmente, diversificar a renda comunitária por meio do turismo de base comunitária, oferecendo vivências, trilhas e hospedagens rústicas.
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Consumidores urbanos conscientes (DF e Entorno): Moradores de regiões administrativas do Distrito Federal interessados em adquirir alimentos frescos, orgânicos e agroecológicos direto da origem. Valorizam a garantia de procedência, a transparência sobre a certificação e a conveniência de agendar retiradas ou compras diretas com o produtor.
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Buscadores de ecoturismo e experiências rurais: Famílias, grupos de trilheiros, estudantes e turistas do DF e RIDE que procuram atividades de lazer ao ar livre, contato com a natureza e vivências pedagógicas. Buscam um diretório confiável para consultar regras de acesso, disponibilidade e realizar pré-reservas em propriedades rurais.