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1. Cenário Atual do Cliente e do Negócio

Esta seção apresenta o cliente do projeto (a Associação Mães Guerreiras da Cidade Estrutural), o contexto em que ela atua, seu cenário atual de trabalho manual, a oportunidade identificada, os desafios do projeto, o mapa de stakeholders e a segmentação dos usuários da futura plataforma.

1.1 Identificação do Cliente/Parceiro

  • Nome: Associação Mães Guerreiras da Cidade Estrutural
  • Tipo: Associação comunitária sem fins lucrativos, mantida integralmente por trabalho voluntário.
  • Representante: Daiane, coordenadora da associação, responsável por definir prioridades e validar as entregas do projeto.
  • Outros contatos: Makio Augusto Cândido, voluntário e principal ponte entre a equipe e a associação, responsável por receber e avaliar as entregas antes de levá-las à coordenação; Maria Guerra (presidente); e as coordenadoras Luzia, Liz e Cleide.
  • Forma de contato: Telefone, WhatsApp e Instagram institucional (@maesguerreiras_df).
  • Vínculo com o projeto: Cliente real e parte interessada principal, responsável por fornecer informações sobre a operação da associação, validar as decisões do projeto e avaliar as entregas ao longo do desenvolvimento.

1.2 Introdução ao Negócio e Contexto

A Associação Mães Guerreiras da Cidade Estrutural nasceu em 2019 da mobilização de mães em situação de vulnerabilidade da comunidade de Santa Luzia, na Cidade Estrutural (DF), região marcada pela ausência de saneamento básico, água potável e infraestrutura urbana. A associação é mantida por cerca de 35 voluntárias e voluntários (não há funcionários contratados) e é conduzida por uma presidente, Maria Guerra, e por um grupo de coordenadoras responsáveis pelas diferentes frentes de atuação. A associação atua praticamente de domingo a domingo, com ações organizadas em quatro eixos: educação e capacitação, segurança alimentar, convivência e bem-estar, e geração de renda. Na doação de alimentos, já foram atendidas mais de mil famílias da comunidade.

Educação e capacitação

  • Reforço Escolar: Às terças e sextas-feiras, das 8h30 às 10h30 e das 14h30 às 16h30, em Português e Matemática, para alunos do Ensino Fundamental e Médio.
  • Informática Básica: Curso gratuito de 60 horas com emissão de certificado, realizado no laboratório de informática mantido em parceria com os programas Computadores para Inclusão e Programando o Futuro (Ministério das Comunicações). Está temporariamente suspenso, aguardando a organização do segundo andar da sede.

Segurança alimentar

  • Sacola Verde (entrega de verduras): Às quintas-feiras e aos domingos, das 14h30 às 15h30, com apoio da CEASA-DF. O atendimento é organizado por ordem de chegada, com entrega de senhas.
  • Doação de sopa e cozinha solidária: Às quartas-feiras, com apoio da ASFA, voltada a pessoas em situação de vulnerabilidade.
  • Doação de mantimentos e cestas básicas: Cestas básicas, frangos, peixes e pães, distribuídos ocasionalmente e avisados no grupo de WhatsApp. Como não há doadores fixos, não existe data definida para as distribuições.

Convivência, cultura e bem-estar

  • Domingo Recreativo: Realizado em dois domingos por mês, reúne em média 80 crianças, com futebol, pintura, café da manhã e almoço. Para alcançar mais crianças, a associação faz um rodízio mensal entre os grupos. Sua realização depende do recebimento de doações.
  • Futebol: Aos domingos pela manhã, voltado ao desenvolvimento físico e ao trabalho em equipe. É a única atividade que não é divulgada nas redes sociais.
  • Carimbó: Grupo de voluntárias que ensaia uma vez por semana e se apresenta quando a associação é convidada e dispõe de recursos para participar.
  • Yoga e Hitbox: Yoga às segundas-feiras e hitbox às quartas-feiras, das 9h às 10h, voltados à saúde e ao bem-estar das mulheres da comunidade.
  • Roda de Conversa com psicólogo: Aos sábados, das 15h às 16h, conduzida por estudantes de Psicologia da UDF, com foco em escuta e acolhimento das mães.
  • Oficinas com mulheres e atividades com idosos: Encontros de aprendizado, convivência e valorização das pessoas idosas da comunidade.

Geração de renda

  • Crochê e bordado: Oficina voltada à autoestima e à geração de renda extra das mães. Está temporariamente suspensa, aguardando equipamentos ou recursos para a compra de materiais.

Como a associação se organiza hoje

Toda a gestão é feita de forma manual. As doações recebidas são anotadas em cadernos e, por falta de tempo e de organização, nem sempre chegam a ser registradas. O cadastro das famílias é mantido em um computador da sede, com nome, idade, endereço e telefone, e o acompanhamento da participação também acontece pelo grupo das mães no WhatsApp. A chamada das crianças é feita à mão, em papel.

A comunicação interna acontece por reuniões presenciais e grupos de WhatsApp, e a divulgação para a comunidade é feita pelo Instagram (@maesguerreiras_df), pelo Facebook, por panfletos e por cartões de divulgação. A associação conta ainda com parceiros institucionais como CEASA-DF, ASFA, UDF e os programas federais Computadores para Inclusão e Programando o Futuro.

1.3 Rich Picture

Rich Picture da Associação Mães Guerreiras da Cidade Estrutural

1.4 Identificação da Oportunidade ou Problema

A associação tem uma operação consolidada, parceiros institucionais reconhecidos e alcance real na comunidade, mas toda a sua gestão depende de registros manuais que se perdem. Isso gera problemas concretos:

  • As doações de itens (alimentos, roupas, brinquedos e cestas básicas) são anotadas em cadernos e, por falta de tempo, nem sempre são registradas: parte do que entra e do que é distribuído simplesmente não fica documentado;
  • Não existe nenhum relatório organizado: a associação não sabe dizer com precisão quanto recebeu por mês, por campanha, quantas doações chegaram nem quais tipos de itens foram distribuídos;
  • Sem esses números, a prestação de contas a parceiros como CEASA-DF, ASFA e UDF depende da memória das coordenadoras, e a associação perde argumentos concretos para conquistar novos apoiadores e patrocinadores;
  • O cadastro das famílias existe em um computador da sede, mas não se conecta ao controle de presença nem ao registro das doações distribuídas;
  • A chamada das crianças no Reforço Escolar, no futebol e no Domingo Recreativo é feita em papel, e a regra de liberar a vaga após cinco faltas sem justificativa depende de conferência manual;
  • O atendimento da Sacola Verde é organizado por ordem de chegada com entrega de senhas, sem registro de quem foi atendido em cada distribuição;
  • A comunidade não tem onde consultar o que está ativo: atividades suspensas (Informática Básica e Crochê e Bordado) e atividades que dependem de doação (Domingo Recreativo) se misturam às demais nas redes sociais;
  • Informações institucionais dependem de Stories e destaques do Instagram, de panfletos e de cartões, e as vagas em novas turmas são divulgadas apenas nos grupos de WhatsApp, alcançando quem já está próximo da associação.

1.5 Desafios do Projeto

  • A coordenação tem baixa familiaridade com ferramentas digitais além do WhatsApp e das redes sociais: se o registro de uma doação não for mais rápido que anotar no caderno, a ferramenta não será adotada;
  • São cinco coordenadoras com responsabilidades diferentes, o que exige controle de acesso por perfil em vez de um único login compartilhado;
  • O sistema tratará dados pessoais de famílias em situação de vulnerabilidade (nome, idade, endereço e telefone), o que exige cuidado com privacidade e conformidade com a LGPD;
  • O projeto é conduzido em regime pro bono, sem orçamento, o que restringe hospedagem, domínio e demais serviços às alternativas gratuitas;
  • A associação tem muitas frentes e um calendário semanal cheio, e a disponibilidade das voluntárias para validar entregas é limitada: as validações precisam ser curtas;
  • O escopo levantado é ambicioso para um semestre, sendo necessário priorizar rigorosamente o que entra no MVP.

1.6 Mapa de Stakeholders

Os principais stakeholders do projeto são: Daiane, coordenadora e representante do cliente, responsável por garantir que a solução represente as necessidades da associação e apoie a captação de parcerias; Makio Augusto Cândido, voluntário principal que faz a ponte de comunicação entre a equipe e a associação e é responsável por validar o escopo, as prioridades e as entregas do projeto; as demais coordenadoras (Luzia, Liz e Cleide), que utilizarão o painel administrativo no dia a dia e precisarão de acessos compatíveis com suas responsabilidades; as voluntárias e os voluntários que conduzem as atividades; as famílias beneficiárias, impactadas pelo cadastro, pelas inscrições e pela organização do atendimento; os doadores de itens, que precisam saber o que a associação necessita e como realizar as entregas; os parceiros institucionais (CEASA-DF, ASFA, UDF e os programas federais Computadores para Inclusão e Programando o Futuro), destinatários da prestação de contas; e a equipe de desenvolvimento, responsável por construir a solução, garantir sua simplicidade de uso e a proteção dos dados.

Para diferenciar o poder de decisão de cada stakeholder dos efeitos que a implantação produzirá sobre ele, o mapa considera três dimensões: poder de decisão, impacto sofrido pela implantação e participação esperada na Engenharia de Requisitos.

Stakeholder Relação com a solução Interesse principal Poder de decisão Impacto sofrido Participação esperada na Engenharia de Requisitos
Daiane (coordenação) Representante do cliente Garantir que a solução represente a associação e apoie a captação de parcerias Alto Alto Apresentará as necessidades da associação e esclarecerá as regras do negócio
Makio Augusto Cândido Voluntário principal que faz a ponte de comunicação entre a equipe e a associação Validar o escopo, as prioridades e as entregas do projeto Alto Médio Validará o escopo, as prioridades e as entregas do projeto
Demais coordenadoras (Luzia, Liz e Cleide) Usuárias diretas do painel administrativo Registrar doações, cadastros e presença de forma rápida, com acesso conforme suas responsabilidades Médio Alto Explicarão os processos atuais, esclarecerão regras operacionais e avaliarão as funcionalidades relacionadas às suas atividades
Voluntárias e voluntários Usuários diretos do painel administrativo e apoiadores das atividades Saber onde ajudar e registrar as atividades que conduzem Baixo Médio Não participarão das atividades de Engenharia de Requisitos; suas necessidades serão apresentadas pelas coordenadoras
Famílias beneficiárias Pessoas impactadas pela solução e usuárias do portal público Saber o que está ativo, como participar e ser atendidas com organização Baixo Alto Não participarão das atividades de Engenharia de Requisitos; suas necessidades serão representadas pela coordenação
Doadores de itens — pessoas e comércios Usuários do portal público Doar de forma simples e consultar as necessidades da associação Baixo Médio Não participarão das atividades de Engenharia de Requisitos; suas necessidades relacionadas ao portal serão apresentadas pela coordenação
Parceiros institucionais — CEASA-DF, ASFA, UDF, Computadores para Inclusão e Programando o Futuro Apoiadores institucionais e consumidores de relatórios Acompanhar o impacto do apoio concedido Baixo Médio Não participarão das atividades de Engenharia de Requisitos; suas necessidades de relatórios e prestação de contas serão apresentadas pela coordenação
Equipe de desenvolvimento Responsável pela construção do produto Entregar uma solução viável, simples de usar e de qualidade Médio, restrito às decisões técnicas Alto Elicitará, analisará, documentará, verificará e atualizará os requisitos, além de implementar a solução

1.7 Segmentação de "Clientes" (usuários da plataforma)

Os públicos foram segmentados conforme a forma como utilizarão, validarão ou serão impactados pela plataforma. Um mesmo stakeholder pode pertencer a mais de um segmento quando possuir diferentes relações com a solução.

Segmento Integrantes Relação com a solução
Usuários diretos do painel administrativo Daiane, as demais coordenadoras e voluntárias e voluntários autorizados As coordenadoras registrarão doações, cadastros e presença, com acessos compatíveis com suas responsabilidades. Os voluntários consultarão onde e quando poderão ajudar e registrarão as atividades que conduzirem
Usuários do portal público Famílias beneficiárias, doadores de itens, pessoas da comunidade, comércios e potenciais apoiadores As famílias consultarão as atividades disponíveis e as formas de participação. Os doadores consultarão as necessidades da associação e as informações para entrega de alimentos, roupas, brinquedos e mantimentos
Pessoas apenas impactadas Mães, crianças, pessoas idosas e demais moradores de Santa Luzia que participam das atividades ou recebem doações, mas não utilizarão diretamente a plataforma Serão beneficiados pela melhoria na organização dos cadastros, das inscrições, da presença, das doações e dos atendimentos
Parceiros que consomem relatórios CEASA-DF, ASFA, UDF, Computadores para Inclusão, Programando o Futuro e potenciais patrocinadores Receberão informações e relatórios sobre as atividades realizadas, as doações registradas e o impacto do apoio concedido
Representantes envolvidos na validação do produto Makio, Daiane e as demais coordenadoras Makio validará formalmente o escopo, as prioridades e as entregas. Daiane e as demais coordenadoras avaliarão se as funcionalidades representam as necessidades e a rotina da associação