5. Engenharia de Requisitos

Quais atividades e técnicas de ER a equipe aplica em cada fase do processo, e o resultado esperado de cada uma.

5.1 Atividades e Técnicas de ER

Planejamento da Release

Elicitação e Descoberta:

  • Entrevistas: Entrevistas realizadas com os pesquisadores do LabLivre permitem compreender os objetivos institucionais do laboratório em relação à permanência de mulheres na tecnologia, enquanto entrevistas com mulheres representativas dos segmentos definidos na Seção 1.7 ajudam a entender como organizam hoje suas tarefas e como percebem as variações de energia, foco e disposição ao longo do mês. Por envolverem relatos sobre saúde e sofrimento no trabalho, as entrevistas serão conduzidas com consentimento explícito e registro anonimizado.
  • Brainstorming: Sessões de brainstorming permitem que a equipe e os stakeholders discutam alternativas para mecanismos não punitivos de acompanhamento, incluindo formas de sinalizar sobrecarga sem reproduzir a lógica de cobrança identificada no problema, sustentando a característica Decompor Tarefas (CP1) e a definição de mecanismos de retomada sem penalização.
  • Análise de Domínio de Negócio: A análise do domínio de saúde menstrual, função executiva e produtividade ajuda a equipe a construir vocabulário compartilhado e a evitar o tratamento determinístico do ciclo, risco explicitamente mapeado como efeito emergente na Seção 3, garantindo que os requisitos estejam alinhados aos princípios de inclusão do LabLivre.
  • Personas e Jornadas de Usuário: A construção de personas a partir dos três segmentos de clientes e do recorte transversal definidos na Seção 1.7, somada ao mapeamento da jornada de um dia de trabalho em período de alta e de baixa capacidade, permite revelar necessidades latentes que não aparecem nas entrevistas, como o esforço compensatório e o presenteísmo silencioso.

Análise e Consenso:

  • Priorização MoSCoW: Utilizar a técnica MoSCoW ajuda a priorizar as características mais críticas para a primeira release do MindCycle, como o Registrar nível de energia (CP4) e o Adaptar planejamento por fase de ciclo (CP3), classificando-as em Must have, Should have, Could have e Won’t have e delimitando o escopo do MVP entregável no semestre.
  • Matriz Valor de Negócio × Esforço Técnico: Avaliar cada característica quanto ao valor percebido pela usuária e à complexidade de implementação permite identificar quais entregas produzem maior impacto com menor custo, decisão necessária diante do prazo acadêmico limitado e do tamanho reduzido da equipe.

Declaração:

  • Épicos, Histórias de Usuário e Tarefas: A Visão do Produto, registrada neste documento, dá origem ao backlog do produto, que se decompõe em épicos, histórias de usuário e tarefas, organizados e priorizados no quadro Kanban. Cada épico é derivado de uma característica de produto (CP1 a CP6) e cada característica está vinculada a um objetivo específico (OE1 a OE3), preservando a rastreabilidade bidirecional estabelecida na Seção 2.3 e evitando que funcionalidades entrem no backlog sem origem justificada.

Planejamento da Iteração

Elicitação e Descoberta:

  • Entrevistas: Realizar entrevistas complementares com usuárias representativas permite refinar detalhes dos requisitos da iteração, como quais sintomas devem estar disponíveis no registro rápido ou qual granularidade de decomposição de tarefas é útil em períodos de baixa capacidade, garantindo que não haja lacunas antes do desenvolvimento.
  • Análise Documental: Revisar documentos existentes, como a análise das soluções concorrentes descrita na Seção 2.5 e a literatura sobre função executiva, auxilia na identificação de padrões de solução já testados no mercado e contribui para o refinamento dos requisitos da iteração sem reelicitar o que já está documentado.
  • Análise de Tarefas: Decompor em etapas menores as atividades reais da usuária em um dia de trabalho, identificando objetivos, decisões e pontos de erro, apoia a descoberta dos requisitos de usabilidade e desempenho da característica Decompor Tarefas (CP1) e evidencia a diferença entre o trabalho prescrito pelo plano do dia e o trabalho realmente executado.

Análise e Consenso:

  • Discussões em Equipe: Reuniões com a equipe de desenvolvimento para discutir dependências técnicas, como a relação entre o registro de estado e o motor de replanejamento ou os mecanismos de criptografia dos dados sensíveis, ajudam a definir a melhor forma de realizar a implementação dentro da iteração.

Declaração:

  • Critérios de Aceitação Detalhados, Definition of Ready (DoR): Definir critérios de aceitação claros para cada história de usuário e garantir que estejam prontos para desenvolvimento facilita a validação pelas partes interessadas e assegura que os desenvolvedores tenham informação suficiente antes de iniciar. No caso do MindCycle, os critérios devem incluir condições de privacidade e ausência de linguagem punitiva, pois esses atributos são parte do valor do produto e não detalhes de interface.

Organização e Atualização:

  • Refinamento do Product Backlog: O refinamento do Product Backlog é uma atividade contínua na qual os itens são detalhados, estimados e priorizados com a equipe e com o cliente antes do início da iteração, considerando as limitações de tempo do semestre letivo e a disponibilidade dos pesquisadores do LabLivre para validação.

Execução da Iteração

Declaração:

  • Storyboards Descritivos: Representar narrativamente a jornada da usuária em um dia de baixa capacidade, combinando texto e sequência de quadros, torna tangível o comportamento esperado do sistema em situações de exceção e serve de insumo para novos critérios de aceitação.

Representação:

  • Protótipos, Wireframes: Criar protótipos e wireframes em Figma para as telas de registro de estado, planejamento diário e painel de padrões pessoais ajuda a equipe a visualizar como as funcionalidades serão implementadas e permite discutir com as usuárias se a interface comunica apoio em vez de cobrança, antes que qualquer código seja escrito.

Verificação e Validação:

  • Checklist, Revisão de Critérios de Aceitação: Utilizar checklists de qualidade e revisar os critérios de aceitação de cada funcionalidade desenvolvida garante que os pontos essenciais foram atendidos, verificando se cada requisito é claro, consistente, necessário, verificável e rastreável a um objetivo específico, e se o tratamento dos dados sensíveis atende ao que foi declarado.

Organização e Atualização:

  • Revisão do Backlog da Iteração: Manter os itens do backlog da iteração detalhados, estimados e priorizados preserva a organização do conjunto de requisitos e permite ajustes rápidos conforme a equipe recebe novos feedbacks ou encontra obstáculos técnicos durante a execução.

Revisão da Iteração

Verificação e Validação:

  • Coleta de Feedback, Workshop de Requisitos: Coletar feedback dos pesquisadores do LabLivre e de usuárias representativas durante workshops ajuda a verificar se as funcionalidades entregues estão alinhadas às expectativas e, sobretudo, se a hipótese central do produto se confirma, ou seja, se a solução reduz a sobrecarga percebida sem gerar uma nova forma de cobrança.

Análise e Consenso:

  • Negociação: A negociação com o LabLivre e com as usuárias define quais ajustes apontados na revisão são prioritários, respeitando o escopo e o prazo do semestre e mediando a tensão entre o interesse de pesquisa do laboratório e a exigência de privacidade da usuária.

Declaração:

  • Incorporação de Feedback: O resultado da negociação é registrado nas histórias de usuário afetadas e nos respectivos critérios de aceitação, com os trade-offs acordados explicitados.

Retrospectiva da Iteração

Análise e Consenso:

  • Discussões em Grupo, Análise de Causas, Resolução de Conflito: Discutir em grupo o que funcionou bem e o que poderia ser melhorado, utilizando análise de causas e mediação dos conflitos surgidos durante a iteração, ajuda a equipe a identificar ações que aumentem a eficiência e melhorem a execução das próximas iterações, incluindo falhas recorrentes na compreensão dos requisitos.

Organização e Atualização:

  • Atualização do Fluxo de Trabalho de Requisitos: Ajustar o fluxo de trabalho de engenharia de requisitos e manter atualizada a estrutura em que os requisitos são organizados, rastreados, refinados e priorizados torna o processo mais adaptável às particularidades de um produto cujos requisitos dependem de experiências subjetivas ainda em compreensão.

Planejamento da Próxima Release

Elicitação e Descoberta:

  • Workshops, Análise de Domínio de Negócio: Workshops com o LabLivre e com usuárias, somados à análise continuada do domínio, ajudam a identificar novos requisitos para a próxima release. Esta fase é também o momento de observar os efeitos emergentes previstos na Seção 3, como sinais de dependência excessiva da ferramenta ou descolamento entre as recomendações automáticas e a experiência real da usuária.

Análise e Consenso:

  • Priorização MoSCoW, Matriz Valor de Negócio × Esforço Técnico: A priorização MoSCoW e a avaliação de cada item quanto ao valor de negócio e ao esforço técnico ajudam a decidir quais funcionalidades serão priorizadas para a próxima release, considerando o impacto sobre os objetivos específicos do produto e o valor entregue às usuárias.

Declaração:

  • Criação de Épicos, Histórias de Usuário e Critérios de Aceitação: Criar épicos e histórias de usuário acompanhados de critérios de aceitação garante que cada requisito da próxima release seja mensurável, isto é, passível de verificação objetiva, orientado pela perspectiva de quem usará o sistema e livre da imposição de uma solução técnica específica, mantendo o vínculo de cada história com a característica de produto que a origina.

Organização e Atualização:

  • Revisão do Backlog da Release, Matriz de Rastreabilidade: Revisar o backlog da release, mantendo seus itens detalhados, estimados e priorizados, e atualizar a matriz de rastreabilidade assegura que todo objetivo específico permaneça coberto por ao menos uma característica e que toda história continue vinculada a um objetivo, facilitando a organização do trabalho e evitando crescimento não justificado do escopo.

5.2 Engenharia de Requisitos e a Abordagem Híbrida (OpenUP + Kanban)

Fases do ProcessoAtividades ERPráticaTécnicaResultado Esperado
Planejamento da ReleaseElicitação e DescobertaLevantamento de requisitosEntrevistas, Brainstorming, Análise de Domínio de Negócio, Personas e Jornadas de UsuárioRequisitos de alto nível identificados, necessidades latentes reveladas e objetivos da release claramente definidos
Análise e ConsensoPriorização de requisitosPriorização MoSCoW, Matriz Valor de Negócio × Esforço TécnicoEscopo do MVP priorizado e acordado com o LabLivre, com critérios de decisão explícitos
DeclaraçãoRegistro dos requisitosÉpicos, Histórias de Usuário e TarefasÉpicos derivados das características de produto (CP1 a CP6) e vinculados aos objetivos específicos (OE1 a OE3), preservando a rastreabilidade bidirecional
Planejamento da IteraçãoElicitação e DescobertaRefinamento de requisitosEntrevistas, Análise Documental, Análise de TarefasRequisitos refinados e específicos para o desenvolvimento da iteração
Análise e ConsensoAnálise de dependênciasDiscussões em EquipeConsenso sobre a viabilidade técnica e a ordem de implementação dos requisitos
DeclaraçãoDefinição de critérios de aceitaçãoCritérios de Aceitação Detalhados, Definition of Ready (DoR)Histórias de usuário com critérios claros, incluindo condições de privacidade e ausência de linguagem punitiva
Organização e AtualizaçãoRefinamento dos requisitosRefinamento do Product BacklogRequisitos refinados e priorizados no backlog antes do início da iteração
Execução da IteraçãoDeclaraçãoRegistro narrativo do comportamento esperadoStoryboards DescritivosNarrativas em quadros que tornam tangível o comportamento do sistema em situações de exceção e geram novos critérios de aceitação
RepresentaçãoCriação de protótiposWireframes e protótipos em FigmaProtótipos e wireframes que orientam a implementação e permitem discutir a interface antes da codificação
Verificação e ValidaçãoVerificação e validação de requisitosChecklist de Critérios de Qualidade, Revisão de Critérios de AceitaçãoRequisitos verificados quanto a clareza, consistência, necessidade, verificabilidade e rastreabilidade, e validados quanto ao alinhamento com as necessidades e os objetivos acordados
Organização e AtualizaçãoRevisão do backlogRevisão do Backlog da IteraçãoBacklog atualizado e alinhado aos objetivos da iteração em andamento
Revisão da IteraçãoVerificação e ValidaçãoDemonstração ao clienteColeta de Feedback, Workshop de RequisitosFuncionalidades validadas com o LabLivre e com usuárias representativas, verificando se a solução reduz a sobrecarga sem gerar nova cobrança
Análise e ConsensoNegociação dos ajustesNegociaçãoAjustes priorizados em acordo com o LabLivre e com as usuárias, mediando a tensão entre interesse de pesquisa e privacidade
DeclaraçãoAtualização das histórias de usuárioIncorporação de FeedbackHistórias de usuário ajustadas conforme o feedback recebido, com os trade-offs acordados registrados
Retrospectiva da IteraçãoAnálise e ConsensoRevisão do processoDiscussões em Grupo, Análise de Causas, Resolução de ConflitoMelhorias identificadas e aplicáveis ao processo de engenharia de requisitos
Organização e AtualizaçãoAjustes no fluxo de trabalho de requisitosAtualização do Fluxo de Trabalho de RequisitosAjustes implementados para aumentar a eficiência e a qualidade do processo de ER
Planejamento da Próxima ReleaseElicitação e DescobertaIdentificação de novos requisitosWorkshops, Análise de Domínio de NegócioRequisitos revisados a partir do uso real e dos efeitos emergentes observados
Análise e ConsensoPriorização estratégicaPriorização MoSCoW, Matriz Valor de Negócio × Esforço TécnicoRequisitos priorizados conforme o impacto sobre os objetivos específicos do produto
DeclaraçãoDefinição de épicos e histórias de usuárioCriação de Épicos, Histórias de Usuário e Critérios de AceitaçãoHistórias de usuário definidas e vinculadas às características de produto da próxima release

Quadro 5 – Engenharia de Requisitos na abordagem híbrida (OpenUP + Kanban). Fonte: elaborado pela equipe.