A solução MindCycle constitui uma intervenção social voltada à reorganização da experiência de produtividade de mulheres que atuam ou estudam na área de tecnologia, considerando as variações de energia, foco, sintomas e bem-estar associadas ao ciclo menstrual e as dificuldades de função executiva. A proposta busca reduzir a sobrecarga executiva e a autocobrança geradas por ferramentas de produtividade que tratam todos os dias como iguais.
Entre os impactos pretendidos, destacam-se:
- apoiar mulheres em tecnologia na organização de tarefas profissionais e acadêmicas de acordo com sua energia e capacidade funcional do dia;
- reduzir a culpa e a autocobrança associadas ao acúmulo de tarefas, atrasos e metas não cumpridas;
- favorecer uma relação mais saudável com produtividade, reconhecendo pausas e descanso como parte legítima do processo;
- permitir a priorização e a realocação de tarefas sem exposição de dados sensíveis a gestores, colegas ou ferramentas de acompanhamento da equipe;
- diminuir o presenteísmo silencioso, em que a usuária tenta manter o mesmo desempenho mesmo em dias de dor, baixa energia ou sobrecarga;
- ampliar a autonomia da usuária para negociar prazos e demandas com base em seu próprio histórico de execução.
Ao mesmo tempo, a solução pode gerar efeitos emergentes, não totalmente previstos, que precisam ser observados, como:
- risco de reforçar estereótipos sobre produtividade feminina caso o ciclo menstrual seja tratado de forma determinística ou generalizante;
- possibilidade de dependência excessiva da ferramenta para organizar a rotina e tomar decisões de priorização;
- dificuldade de atender usuárias com ciclos irregulares ou sintomas muito distintos do padrão previsto pelo sistema;
- possibilidade de frustração caso as recomendações automáticas não correspondam à experiência real da usuária;
- deslocamento da carga de trabalho para colegas quando tarefas são realocadas sem visibilidade da equipe;
- risco de deslocar para a usuária a responsabilidade individual por problemas que também são estruturais no ambiente de trabalho.
Assim, a intervenção social do MindCycle não é apenas “organizar tarefas”. Ela consiste em alterar a forma como a produtividade é medida, vivida e negociada no cotidiano profissional e acadêmico, propondo uma relação mais humana, privada e adaptativa entre demandas, autocuidado e capacidade real de execução, exigindo que os requisitos do sistema considerem tanto os benefícios esperados quanto os efeitos não previstos do uso real da solução.